domingo, 24 de junho de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Nascimento de São João Batista – Ano B


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Nascimento de São João Batista – Ano B

João, Arauto de Jesus Cristo.

Hoje a Igreja celebra a festa da natividade de São João Batista. Dentro da imagem de João Batista, manifesta-se a proximidade do mistério da Encarnação do Verbo. Os sinais da geração de João são expressamente revelador, uma vez que é um anjo que vem ao encontro de Zacarias, sacerdote e ancião, casado com Isabel, mulher temente a Deus, mas padecia da esterilidade. Os dois eram justo e esperavam na graça de Deus.
Deus ouviu o apelo de Zacarias e Isabel, e deu-lhes um filho na velhice. Tudo isso, para mostrar que em Deus nada é impossível. Para afirmar que quem espera em Deus nunca fica sem respostas. E quando o Senhor responde sempre nos oferece mais que merecemos. Zacarias não teve um filho qualquer, mas dito pelo próprio Jesus: João é o maior entre os nascidos de mulher.   Santo Agostinho diz: “Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo”.  Com exceção à Virgem Maria, o Batista é o único santo do qual se celebra tanto o nascimento, a 24 de junho, como a morte ocorrida através do martírio. Celebra o seu nascimento porque está estreitamente ligado ao Mistério da Encarnação do Filho de Deus.
Em João Batista Deus demonstra que a glória, a honra e o louvor pertencem a Deus. Diz a Palavra de Deus: “Houve um homem enviado por Deus: o seu nome era João. Veio para dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um povo bem disposto a recebê-lo” (cf. Jo 1,6s; Lc 1,17). João dizia a todos que o procurava: eu não sou a luz, nem a Palavra. Sou a voz que grita no deserto, preparai o caminho do Senhor. O Prefácio da Missa apresenta João como o maior entre os nascidos de mulher, o único dos profetas que mostrou o Cordeiro Redentor; o Batista que batizou o autor do Batismo e o mártir que deu o verdadeiro testemunho de Cristo.
Em João Batista vemos um homem justo e coerente! Ele exige conversão pelo testemunho de vida e pela pregação. João prega o que vive e vive do que prega. Convida-nos a preparar os caminhos do Senhor pela prática da justiça, do amor, do zelo pelas coisas de Deus e pela humildade. João é uma voz no deserto”, mas, é uma voz sem Palavra, porque a Palavra não é ele, é Outro,  é Jesus. João constitui a ressonância da Palavra. “Eis então, qual é o mistério de João: Nunca se apodera da Palavra. João é aquele que indica, que assinala o caminho da Palavra. O sentido da vida de João é indicar Outro” ( Papa Francisco). Santo Agostinho afirma: João era uma voz  passageira; Cristo é a Palavra eterna desde o princípio.   
A figura de João Batista por tudo que representa ao mistério de Cristo, aponta para uma missão comum para todos os cristãos: devemos como o Batista  aplainar os caminhos do Senhor, para que Ele entre nas almas de todas as pessoas e nações. Nós cristãos, somos os arautos de Cristo no mundo de hoje. Somos luz de Cristo para um mundo de trevas e morte que ronda a vida de muitas pessoas.
O Senhor deseja que O anunciemos por meio de nossa conduta e da nossa palavra no ambiente em que nos desenvolvemos, ainda que nos pareça que esse apostolado não tenha grande alcance. A missão que o Senhor nos encomenda atualmente é a mesma de João: preparar os caminhos, sermos seus arautos, os que O anunciam aos seus corações. A coerência entre a doutrina e a conduta é a melhor prova da validade daquilo que proclamamos; e é, em muitas ocasiões, a condição imprescindível para falarmos de Deus às almas.

Pe. Fantico Borges, CM

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Solenidade de Corpus Christi 2018 Ano B.


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Solenidade de Corpus Christi 2018 Ano B.


Caminhemos todos junto rumo ao Reino.

A celebração de hoje busca expressar a presença de Cristo como alimento na vida de seu povo. Por isso nos perguntamos: qual é o significado próprio da Solenidade que celebramos hoje, o corpo e Sangue de Cristo?
É a própria celebração quem nos fala, no desenvolvimento de seus gestos fundamentais: antes de tudo estamos reunidos ao redor do Altar do Senhor, para estarmos juntos em sua presença: em segundo lugar, haverá uma procissão, ou seja, um caminhar com o Senhor, e por fim o ajoelhar-se diante do Senhor, a adoração que tem início já na Missa e acompanha toda a procissão, mas que culmina no momento final quando todos nos prostraremos diante Daquele que se dobrou até nós e deu sua vida por nós. Vamos nos deter brevemente sobre estes três comportamentos, para que seja realmente expressão da nossa fé e da nossa vida.
O primeiro ato, portanto, é o de reunir-se diante da presença do Senhor. É o que antigamente se dava o nome  de "Statio". Imaginemos por um momento que em toda Roma não exista outro altar senão este, e que todos os cristãos da cidade tenham sido convidados a reunirem-se aqui para celebrar o Salvador morto e ressuscitado. Isso nos dá uma ideia de como era nas origens, em Roma e em tantas outras cidades onde chegava a mensagem evangélica, a celebração Eucaristica: em cada Igreja particular havia um só Bispo e ao redor da Eucaristia por ele celebrada, se constituia a Comunidade, única, porque único era o Cálice abençoado e único o Pão partido como ouvimos das palavras de Paulo na segunda leitura (Cor. 10,16-17). vem a mente uma outra expressão paulina: "Não existe mais judeu, nem grego: nem escravo ou livre, porque todos somos únicos em Cristo Jesus" (Gal 3,28).
Todos nós unidos na Eucaristia somos um só coração, uma só alma! Com estas palavras se sente a verdade e a força da revolução cristã, a revolução mais profunda da história humana, que se experimenta ao redor da Eucaristia: aqui se reúnem pessoas de diversas idades, sexo, condição social, ideias políticos, culturas distintas. A Eucaristia é um ponto mais alto da comunhão cristã. Nela anelamos uma sociedade verdadeiramente fraterna e comunal. Também aqui nesta celebração, nós não escolhemos com quem nos encontramos, apenas viemos e estamos uns do lado dos outros, tendo em comum a fé e o chamado a sermos um só corpo místico, unidos a um único Pão, que é Cristo. Estamos unidos, apesar de nossas diferenças culturais, profissionais, grau social, poder econômico. Todos filhos e filhas de Deus, conscientes do poder e valor real do corpo de Cristo, podemos tomar a fila da comunhão com o desejo de participar do banquete escatológico, preparando-nos para a festa das eternas bodas do Filho Unigênito do Pai.  
Esta desde os inícios tem sido uma característica do cristianismo, realizada visivelmente ao redor da Eucaristia, que somente tem ligar na mesa de Cristo quem comunga na vida dos irmãos. É necessário sempre vigiar para que as tentações do particularismo, do exclusivismos social, não impeça que caminhemos em sentido contrário ao projeto de Deus.. Portanto, o Corpus Christi nos recorda antes de tudo que ser cristãos, quer dizer: reunir-se de todas as partes para estar na presença do único Senhor e tornar-se nEle um único povo para a glória de Deus Pai.
O segundo aspecto constitutivo é o caminhar com o Senhor. É a realidade manifestada pela procissão, que viveremos juntos depois da Santa Missa, quase como prolongamento natural da nossa caminhada rumo ao céu. Nele nos movemos e somos atraídos pelo seus amor. Com o dom de Si mesmo na Eucaristia, o Senhor Jesus nos liberta de nossas "paralisias", nos faz "continuar o caminho", nos faz dar um passo a mais, e depois outro, e assim nos coloca em caminhada, com a força deste Pão da Vida que fortalece a alma para o combate espiritual.
Como acontece com o profeta Elias, que se refugiou no deserto por medo de seus inimigos, e havia decidido morrer no caminho (cfr I Re 19,1-4), mas Deus o despertou do sono e o fez encontrar ali ao lado pão sem fermento e da graça divina a fortaleza de sua alma: "Levanta e come – porque para ti o caminho é longo demais" (I Re 19, 5.7). A procissão do Corpo do Senhor nos ensina que a Eucaristia nos libertar de todo abatimento e desconforto. Ela nos arranca do medo que trava nosso caminha rumo ao Reino. A experiência do povo de Israel no êxodo do Egito, a longa peregrinação através do deserto, do qual falou a primeira Leitura que impulsiona a nossa experiência do caminhada neste mundo.  Uma experiência que para Israel é constitutiva, mas se tornou exemplar para toda a humanidade cristã.
Por fim a Eucaristia é o Sacramento do Deus que não nos deixa sozinhos no caminho, mas se coloca ao nossa lado e nos indica a direção. De fato, não basta caminhar, é preciso saber para onde se vai! Não basta o "progresso", se não há critérios de referência. Antes, se corre pela estrada afora, arrisca terminar em um precipício, ou em todo caso se distanciar-se da meta há que ter um ideal a alcançar. Essa horizonte Jesus veio revelar: adorar o Pai do céu.
Adorar o Deus de Jesus Cristo, feito pão partido por amor, é o remédio mais válido e radical contra as idolatrias de ontem e de hoje. Ajoelhar-se diante da Eucaristia é profissão de liberdade. Quem se inclina para Jesus não pode e não deve prostrar-se diante de nenhum poder terreno, por mais forte que seja. Nós cristãos nos ajoelhamos somente diante de Deus, diante do Santíssimo Sacramento, porque nele sabemos e cremos estar presente o único e verdadeiro Deus, que criou o mundo e o amou tanto que deu seu Filho unigênito (cf. Gn 3,16).
Nos prostramos diante de um Deus que por primeiro se inclinou perante o homem, como Bom Samaritano, para socorrê-lo e dar-lhe novamente a vida; aquele que se ajoelhou diante de nós para lavar os nossos pés sujos pelo pecado. Adorar o Corpo de Cristo quer dizer crer que ali, naquele pedaço de pão, está realmente Cristo, que dá verdadeiro sentido à vida, seja ao imenso universo como à menor das criaturas, à toda história humana como à mais breve existência.
A adoração é oração que prolonga a celebração e a comunhão eucarística cuja alma continua a nutrir-se: nutre-se de amor, verdade e paz; nutre-se, ainda mais de esperança nas promessas do Filho. Porque Aquele ao qual nos prostramos não nos julga segundo os critérios humanos, não nos expulsa, mas nos liberta e nos transforma. Por isso reunir-nos para caminhar, adorar e prostrarmo-nos diante daquele que é a nossa alegria. Fazendo-nos discípulos-missionários como Maria, adoramos um só Deus em três pessoal e desejamos estar sempre aos pés da cruz do Senhor. Que neste mês de maio que encerramos tenha manifestada em cada um de nós a vontade de como a Virgem fazer tudo que o Senhor Mandar!


Pe. Fantico Borges, CM

domingo, 13 de maio de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – da Ascensão do Senhor – Ano B




Homilia do Pe. Fantico Borges, CM –  da Ascensão do Senhor – Ano B

Nossa humanidade que em Cristo está no céu!
                                                                           
Hoje é um dia no qual se mesclam a alegria pela consumação da glorificação do Senhor Jesus e  a tristeza ao vê-lo partir. Mas a sua ascensão já é a nossa vitória. Ao celebrar a Ascensão do Senhor, celebramos também – como dizia São Leão Magno num sermão – a exaltação da nossa pobre natureza humana em Cristo: ele sobe aos céus com a nossa carne, com um coração de carne, com sentimentos humanos, em fim, ele nos leva aos céus. Santo Agostinho exortava: “hoje o Senhor nosso, Jesus Cristo, subiu aos céus, suba também o nosso coração com ele”. Nesta celebração sentimos o amor de Deus mais profundo no ato de nos levar para dentro da Trindade. Agora podemos que não somos sem teto, sem lar, sem colo. Nossa morada é o céu. A eterna morada de Deus que já experimentamos aqui na vida da Igreja, nos tempos de pedras dedicados à oração e o louvor.
Nós fomos feitos por Deus e para Deus, levamos dentro de nós essa marca de eternidade que nos faz desejar a felicidade. Cada ser humano tem dentro de si uma espécie de saudade do paraíso, um desejo de ser feliz para sempre, uma ânsia de eternidade que faz sentir certa náusea de viver para sempre numa situação incompleta e cheia de perigos. Aquela frase de Santo Agostinho, “Fizeste-nos, Senhor, para ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti”, continua atual. A pessoa humana, por mais que queira fugir de Deus, não descansará enquanto não se deixar seduzir pelo Senhor, já que em cada efêmera felicidade está buscando a Deus, ainda que às apalpadelas.
Você já desejou, de verdade, ver Deus? Nós falamos de Deus, cremos nele, o adoramos, mas é preciso também desejar vê-lo. Como é o rosto do Pai? Como é a humanidade glorificada de Cristo? Como é a personalidade do Espírito Santo? O que é Deus? Quem é Deus? “Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou” (Jo 1,18). Ambas as afirmações estão perfeitamente combinadas na nossa vida cristã: nós não vimos a Deus, mas nós o conhecemos em Cristo. E, no entanto, desejamos ver como é Deus, como é cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade; também queremos dar um abraço em Nossa Senhora e agradecer pessoalmente ao nosso anjo da guarda por tudo, enfim, nós desejamos o céu.
Hoje é um dia para desejar a vida eterna, para querer ver o Senhor, contemplar seu resplendor e desfrutar do seu repouso. O desejo do paraíso, a busca pela vida eterna somente é possível se cremos em Cristo, pois quem crer já está salvo. E os sinais que nos acompanharão os fiéis em Cristo é o poder sobre o mal, o demônio, as trevas. Ambicionar a Jesus Cristo, o Paraíso, e a vida eterna é dá  testemunho de seu poder eterno. Isso sim que é uma santa ambição! Todo cristão é um ambicioso, santamente ambicioso pela graça divina.
Precisamos que a nossa ambição santa aumente e que desejemos o céu não somente para nós, mas também para todos os nossos amigos e até para os inimigos. Um cristão sem zelo apostólico é um cristão estéril. Assim como não se pode entender que um peixe não possa nadar, a não ser que esteja morto, assim também não se pode entender que um cristão não seja apostólico, proselitista (no bom sentido da palavra), a não ser que esteja morto. Não podemos perder a audácia, o desejo de ganhar a todos para Cristo. No mesmo sermão citado anteriormente, São Leão Magno dizia que “a fé, aumentada pela ascensão do Senhor e fortalecida com o dom do Espírito Santo, não pode temer diante das cadeias, da prisão, do desterro, da fome, do fogo, das feras nem das torturas dos cruéis perseguidores. Homens e mulheres, crianças e frágeis donzelas lutaram em todo o mundo por essa fé até o derramamento do sangue. Esta fé afugenta os demônios, afasta as enfermidades, ressuscita os mortos”.
Peçamos a Deus que aumente a nossa fé e, consequentemente, a nossa audácia apostólica, que irá ao encontro não somente daquelas pessoas que ainda não são católicas, mas também dos mesmos católicos. Há muitos que estão afastados da Igreja, com uma fé raquítica, sem vigor apostólico. É preciso ajudá-los! Nessa Semana de Oração pela Unidade dos cristãos peçamos a Deus que se acabem as divisões, que todos tenhamos um único desejo: amar a Deus e estender o seu reino por todo o mundo, cada um no ambiente em que se encontra.
Aprendamos com nossas mães que mesmo tendo muitos filhos sabem amar a todos com o mesmo amor, que cuida com mais atenção os mais frágeis sem diminuir o afeto pelo mais forte. Que sabe dar sem nada receber, faz sem nada pedir, que doa sem nada esperar. Neste dia das mães, dia de Nossa Senhora de Fátima agradeçamos a Deus que nos deu Maria Santíssima como mãe de todos: pobres, ricos, brancos, negros, órfãos e afortunados.   Que ninguém se sinta só neste dia das mães.

Pe. Fantico Borges, CM  



domingo, 29 de abril de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – V Domingo de Páscoa Ano B


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – V Domingo de Páscoa Ano B

Eu sou a videira, sem mim nada podeis fazer!

Na liturgia de hoje Jesus afirma que ele é a videira e nós os ramos. Ora, um ramos separado da arvore não produz nada. Secará e sera queimado como galho seco e infrutífero. A mesma coisa é o cristão se não tiver bem unido a Cristo nada pode fazer. É importante lembrar que o antigo Israel sempre se considerou a vinha do Senhor. No Evangelho (Jo 15,1-8), quando Jesus afirma: “Eu sou a videira verdadeira”. Essas palavras, numa ceia de despedida, representam o seu “Testamento”. Jesus proclama que ele é videira verdadeira plantada pelo próprio Deus, diferente do antigo Israel que não produziu os frutos esperados, Jesus diz que quem permanecer nele dará muito fruto.
Jesus se apresenta como a “videira verdadeira”, capaz de produzir frutos que Israel não produziu. Ele é o tronco e nós somos os ramos! O ramo que não der frutos é cortado e lançado ao fogo. O ramo que dá frutos é podado para que dê mais frutos. Jesus convida os apóstolos a permanecerem n’Ele:” permanecei em Mim, como Eu em vós”. Como o tronco da videira transmite a vida aos ramos e os ramos são vivificados quando permanecem ligados ao tronco, assim se dá com Cristo e os cristãos. Os ramos assim ligados ao tronco é que produzem fruto. Para produzir frutos, os ramos precisam de seiva da videira e da poda.
Na patrística Orígenes destaca a necessidade de correção que todo ser humano precisa. Para ele se estamos enxertados em Cristo, será necessário que o Pai nos pode, ele que é o agricultor.  É interessante que o agricultou quando deseja que a planta produza mais frutos e melhores a qualidade da semente ele poda a arvores, ou seja, corta os galhos que sugam as forças da planta sem nada produzir. A planta no tempo da poda sofre, mas depois ela cresce vicejante e dar frutos abundantemente. No campo da fé muitas vezes precisamos de disciplina e correções. Na hora da correção sofremos e nos sentimos até injustiçados, mas geralmente a correção fraterna dará muitos frutos positivos no tempo certo. Uma coisa que precisamos trabalhar em nós é a paciência divina, a longanimidade eterna que sabe esperar com prontidão o tempo da colheita.  
Na fala de Jesus fica claro que  o cristão precisa da seiva da videira, que é Cristo, pois “sem Ele nada podeis fazer”. É interessante notar que o texto fala oito vezes em “permanecer em Cristo” e sete vezes em “dar frutos”. Se não permanecermos unidos a Cristo, recebendo essa seiva, nos tornaremos ramos secos e estéreis, que serão cortados e lançados ao fogo.
Os nossos trabalhos pastorais não serão eficazes se não houver a seiva dessa videira e o contato com Jesus, através da Oração, meditação, leitura orate da palavra. Só unidos ao tronco podem viver e frutificar os ramos; do mesmo modo, só permanecendo unido a Cristo pode o cristão viver na graça e no amor e produzir frutos de santidade. Isto manifesta a impossibilidade do homem em tudo o que se relaciona com a vida sobrenatural e a necessidade da sua total dependência de Cristo; mas manifesta também a vontade positiva de Cristo de fazer com que o homem viva a sua própria vida com Ele.
Quem não está unido a Cristo por meio da graça terá, o mesmo destino que as varas secas: o fogo. Diz Santo Agostinho:”os ramos da videira são do mais desprezível se não estão unidos ao tronco; e do mais nobre se o estão(…) Se se cortam não servem de nada nem para o vinhateiro nem para o carpinteiro. Para os ramos há duas opções: ou a videira ou o fogo: para não irem para o fogo, que estejam unidos à videira” (Santo Agostinho: Tr. Sobre São João, 81, 3-4).
Estejamos atentos! O Senhor nos faz um apelo: “produzir frutos…”. Porém impõe uma condição: “permanecer unido a Ele”. Para isso precisa: gastar tempo com Ele! Nenhum trabalho, mesmo pastoral, justifica o abandono do encontro pessoal com Cristo, na Oração. Jesus nos adverte:”sem mim nada podeis fazer”. Devemos antes falar com Deus… para depois falar de Deus… Alimentar a nossa espiritualidade com esta “seiva divina”, que é a graça de Deus, na escuta da Palavra, na pratica sacramental… Dizia São João Paulo II:”A oração é para mim a primeira tarefa, como o primeiro anúncio; é a primeira condição de meu serviço à igreja e ao mundo”. São Francisco de Assis ensinava que “do homem que não reza não se pode esperar nenhum bom fruto”. Nossa sede de Deus será a força para nossa sede em conquistar novos filhos (ramos) para vinha de Senhor. A vida de união com Cristo transcende necessariamente o âmbito individual do cristão para se projetar em benefícios dos outros: daí brota a fecundidade apostólica, já que o apostolado, seja ele de que tipo for, consiste numa superabundância da vida interior.
Essa união com Cristo, a videira verdadeira, será sempre abundante quando mais nos envolvermos todo com ela. É preciso passar de fé conceitualistas que sabe quem é Deus com termos altíssimos para uma fé encarnada que se encontra com Deus nas situações reais da vida das pessoas, especialmente os pobres e excluídos, da religião, da economia e da vida social.  Como dizia São Vicente amemos a Deus não somente com palavras , mas atitudes. 

Pe. Fantico Borges, CM

sábado, 14 de abril de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – III Domingo da Páscoa – Ano B.


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – III Domingo da Páscoa – Ano B.

Vós sereis minhas testemunhas!

O evangelho deste domingo continua a meditação do episódio dos discípulos de Émaus. Quando eles ainda estão conversando sobre o que tinha acontecido com eles no caminho, Jesus aparece e lhes deseja a paz; ele continua a explicar-lhes sem interromper o argumento: “Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos salmos” (Lc 24,44). Os discípulos ainda não tinham entendido a escritura, porque desejavam um messias aos padrões dos desejos humanos e não a partir dos planos de Deus.
Observemos que a pregação de Pedro alude para uma consciência da Lei e dos Profetas. A comunidade quer deixar bem claro que Jesus rejeitado pelos chefes dos judeus e mestres da Lei é o mesmo que as profecias anunciavam. O discurso dos Apóstolos é duro. Vos Matastes, vos rejeitastes e pedistes a liberdade a um assassino e a condenação de Jesus. Mas Deus o ressuscitou e o libertou tornando-O Guia Supremo. Agora, arrependei-vos e convertei-vos para serdes perdoado pelo Cristo e batizado em seu nome. Ora, a proposta dos apóstolos é uma mudança de mentalidade a fim de viver uma vida nova, segundo o mandamento novo.  
Para essa vida nova o critério é viver segundo o mandamento de Deus. Quem diz que ama a Deus e não guarda seus mandamentos é mentiroso. Qual é esse mandamento? Jesus resumiu toda lei e preceitos em Amor a Deus e amor ao próximo. Ora, esse amor foi experimentado de modo real na cruz e assumido como expressão de entrega e confiança. A cruz revela com toda a força, até onde Deus é capaz de ir por nós: ele é capaz de se entregar, de dar sua vida por nós! No seu Filho o Pai nos entrega tudo de precioso que ele tem! No Filho feito homem de dores, humilhado e derrotado, nós podemos compreender o quanto somos amados por Deus, o quanto ele nos leva a sério, o quanto é capaz de descer para nos procurar! Contemplemos a cruz e sejamos gratos a Deus que se entrega assim!
O Filho, entregue ao Pai com toda a confiança e todo o abandono, o Filho, feito homem de dores, agora é glorificado pelo Pai e colocado no mais alto da glória. Deus jamais abandona os que a ele se confiam. Podemos imaginar o Senhor Jesus dizendo as palavras do Salmo de hoje: “Eu tranqüilo vou deitar-me e na paz logo adormeço, pois só vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida!” O nosso Salvador adormeceu no sono da morte certo que o Pai o despertaria para a vida da glória! Sim, o Pai é Fidelidade, o Pai é Amor! Mas, é também fidelidade e amor para conosco. Efetivamente, tudo quanto aconteceu com o Filho na cruz foi por nós, para nossa salvação, para que o nosso pecado, a nossa situação de miséria, encontrasse expiação. Eis como a Palavra de Deus deste hoje insiste nisso: “Se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro”. E o próprio Jesus afirma no Evangelho que “no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Meus caros em Cristo, na cruz e ressurreição do Senhor, Deus, amorosamente nos concedeu o perdão dos pecados!
Então, que temos de fazer para corresponder a tanto amor, a tão grande graça? Três coisas: primeira: crer em Jesus, o Enviado do Pai, que por nós morreu e ressuscitou: “Convertei-vos para que os vossos pecados sejam perdoados!” Quem crer em Jesus, quem diante dele reconhecer-se pecador e o acolher como o Salvador e nele colocar a vida, nele encontrará o perdão que vem pela cruz e a ressurreição. Segunda coisa: viver na Palavra do Senhor: “Para saber se o conhecemos, vejamos se guardamos os seus mandamentos. Naquele que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado”. A fé, caríssimos, não é um sentimento nem uma teoria. Nossa fé em Jesus morto e ressuscitado deve levar a um compromisso sério e radical com o Senhor na nossa vida concreta. Quem não guarda os mandamentos, não crê! Quem não crê, fecha-se para a salvação! Terceira coisa: testemunhar Jesus morto e ressuscitado: “Vós matastes o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos. Disso nós somos testemunhas!” E Jesus diz: “Vós sereis testemunhas de tudo isso!” Caros meus, nós não conhecemos Jesus de um modo teórico. Nós o experimentamos na força da sua Palavra e na graça dos seus sacramentos, sobretudo na participação na Eucaristia. Jesus, para nós, não é um fantasma! “Por que estais preocupados tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!” Sim, meus caros, quantas vezes tocamos Jesus, sentimo-lo vivo, caminhando conosco! Tenhamos, então a coragem de nele crer, de nele viver e dele dar testemunho onde quer que estejamos e onde quer que vivamos. Jesus não é um fantasma! Jesus está vivo! Jesus é Senhor! E sua paz,  sua vitória e seu perdão são provas de sua presença sempre conosco.  

Pe. Fantico Borges, CM

domingo, 1 de abril de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Domingo de Páscoa Ano B.


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Domingo de Páscoa Ano B.

Cristo está vivo Ele ressuscitou!

“A glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem consiste em ver a Deus”. Com estas palavras Santo Irineu de Lyon faz refletir sobre a realidade da solenidade pascal: Cristo está vivo, o Senhor ressuscitou aleluia!
A essência do Cristianismo é que Jesus é revelador do Pai. Em Cristo Deus alcança a máxima expressão de revelação como Deus e Senhor, Pai Criador e Deus Libertador. Cristo fala não somente com palavras, mas com todo o seu ser. Tudo o que ele é, é revelação do Pai. Então é na ressurreição que o conceito de revelação alcança toda a sua plenitude. Deus em Cristo revela-se o senhor da vida!
Hoje, neste domingo de Páscoa, o Cristo glorioso manifesta de maneira excelente o seu ser e, desse modo, nos está revelando plenamente o poder do Pai nele e o quanto ele pode no Pai. Cristo se manifesta e a sua auto-manifestação é, para nós, e ao mesmo tempo revelação de Deus numa plenitude sem precedentes. Por outro lado, é também revelação da humanidade glorificada em Jesus na sua novidade mais radical.
A Liturgia Pascal lembra, na primeira leitura, um dos mais comoventes discursos de Pedro sobre a Ressurreição de Jesus: “Deus O ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se… às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,40-41). Surge nestas palavras a vibrante emoção do chefe dos Apóstolos pelos grandes acontecimentos de que foi testemunha, pela intimidade com Cristo ressuscitado, sentando-se à mesma mesa, comendo e bebendo com Ele.
A Ressurreição é a grande luz para todo o mundo: “Eu sou a luz” (Jo 8,10), dissera Jesus; luz para o mundo, para cada época da história, para cada sociedade, para cada homem. A ressurreição que revela o Pai misericordioso e amante da vida, tornado-se uma lâmpada de Deus que rompe as trevas da consciência humana pervertida.
No evangelho (Jo 20,1-9) vemos que a Boa Nova da Ressurreição provocou, num primeiro momento, um temor e espanto tão fortes, que as mulheres “saíram e fugiram do túmulo… e não disseram nada a ninguém, porque tinham medo”. Entre elas, porém encontrava-se Maria Madalena que viu a pedra retirada do túmulo e correu a dar a notícia a Pedro e ao discípulo amado: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde O colocaram” (Jo 20,2). “Os dois saem correndo para o sepulcro e, entrando no túmulo, observaram as faixas que estavam no chão e o lençol…” (Jo 20,6-7). “Ele viu e acreditou” (Jo 20,8).  Primeiro é emocionante a narrativa da cena. Aqueles dois discípulos correndo até o túmulo em meio a lagrimas de tristeza pela morte do Senhor e da alegria do túmulo vazio. Mas está cena ainda transmite outra mensagem: o respeito do discípulo mais jovem com Pedro. Ele chega primeiro, mas não entra. Espera Pedro porque é Simão quem devia ver primeiro e dar o parecer de autoridade. Os dois entram e ao ver acreditam. Acreditar é o primeiro ato de fé da igreja nascente em Cristo Ressuscitado, originado pela solicitude de uma mulher e pelos sinais do lençol, das faixas de linho, no sepulcro vazio. Se se tratasse de um roubo, quem se teria preocupado em despir o cadáver e colocar o lençol com tanto cuidado? Deus serve-se de coisas bem simples para iluminar os discípulos que “ainda não tinham entendido a Escritura, segunda a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20,9), nem compreendiam ainda o que o próprio Jesus tinha predito acerca da Sua ressurreição. Que emoção tiveram os discípulos! Crer é um ato de confiança e amor. Quem ama corre rápido para encontrar o amado. Não perde tempo, quer ficar  mais tempo possível com o amado.
A partir deste momento os discípulos estavam mais confiantes. Ainda haveria de  acontecer outras manifestações da ressurreição, mas tudo começava ali em ver e acreditar. A ressurreição é uma realidade, porém, Deus quer livremente ser amado e adorado. Para muitos a pedra ainda está fechando a porta do túmulo, outros ainda procuram entre os mortos aquele que está vivo.
Por isso, a pergunta é pertinente: o que significa ressuscitar em Cristo? Viver a vida nova do Mestre. São Paulo nos ajuda a responder isso. “Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima...”  Isto significa que devemos realizar as tarefas humanas pensando nas realidade do céu. Viver a vida nova do Ressuscitado é seguir os passos de Jesus, ou seja, amar os irmãos e irmãs com justiça, paz e solidariedade. Fazer o bem sem esperar nada em troca, viver na gratuidade e generosidade presentes sempre na vida de Jesus. Peçamos ao Cristo nossa luz, revelador do Pai das misericórdias que nos ilumine a consciência de filhos de Deus e coerdeiro da vida divina, para agirmos como ressuscitados.

Pe. Fantico Borges, CM


sábado, 31 de março de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Solene Vigília Pascoal Ano B.


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Solene Vigília Pascoal   Ano B.

Cristo Ressuscitou Aleluia venceu a morte por Amor!

Irmãos, esta Noite é santa! Toda lágrima, nela, é enxugada; todo pecado, nela, é perdoado; toda morte, nela, é vencida! Irmãos, nosso Jesus ressuscitou, nosso Jesus foi constituído Senhor e Salvador. Nosso Senhor Jesus abriu-nos um caminho novo; deu-nos um novo rumo na vida, uma nova esperança, uma invencível certeza! Nesta Noite, a Morte perdeu a guerra, nesta Noite, o Filho de Deus, na sua humanidade igual a nossa, venceu a Morte, arrombou o pântano infernal e abriu-nos o caminho para o Pai! Esta é a Noite mais feliz da história humana: é a Noite da Páscoa; Páscoa de Cristo, nossa Páscoa! “Eis agora a Páscoa, nossa festa, em que o real Cordeiro se imolou: marcando nossas portas, nossas almas, com seu divino sangue nos salvou! Ó Noite de alegria verdadeira, que prostra o Faraó e ergue os hebreus, que une de novo ao céu a terra inteira, pondo na treva humana a luz de Deus!
Nosso povo com uma fé simples canta nesta noite: Cristo ressuscitou Aleluia venceu a morte com amor! Este canto retrata o sentido da Pascoa: Cristo venceu a morte, por sua morte a morte vi seu fim. Já brilhou para nós a salvação: oh morte onde está tua vitória? Quem poderá fazer frente àqueles que foram redimidos com tão precioso dom? Não foi mais o sangue de um cabrito, mas o próprio Filho Unigênito, Aquele Era, que É, o Alfa e Ômega, Primogênito dentre os mortes, o Vivente, foi ele quem nos reconciliou com Deus. Ele é o pontífice que nos une ao divino Pai das Misericórdias, o Eterno Sacerdote. A ele a honra, a glória, o louvor pelos séculos dos séculos.
Esta é a vigília das vigílias, a noite que assistiu a libertação da morte e de todo pecado no qual os filhos de Deus eram subjugados. Ela assistiu emocionada a ressurreição de Jesus, o Cristo. Hoje é uma Noite estupenda. Não há outra, como esta; não poderá haver neste mundo! Esta Noite santíssima resume e encerra em si, como num ventre fecundo, todas as outras noites. Recordando a pascoa antiga, em que os filhos de Israel foram libertados das mãos do Faraó rei do Egito, o povo da nova e eterna aliança vive em lagrimas e gritos jubilosos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Esta libertação não atingiu apenas o antigo Israel, mas a todos que esperam no Senhor Jesus. Por sua morte a morte viu seu fim, no sangue derramado do Cristo a vida renasceu. Não temeremos mais a morte e a dor, pois Jesus de Nazaré está vivo, ele Ressuscitou!
Vede: hoje, nesta Noite, quando tudo era trevas, Deus disse: “Faça-se a luz!” e a luz se fez (cf. Gn 1,3)! Hoje, quando Isaac estava para entrar na noite da morte, pois nosso Pai Abraão tinha decidido sacrificá-lo a Deus, a luz brilhou e o Senhor disse: “Abraão, não estendas a mão contra o teu filho!” E Isaac viu a luz da vida (cf. Gn 22,12)! Ainda hoje, nesta Noite, Deus, com braço estendido, fez o seu povo atravessar o Mar Vermelho e deixar a escravidão de Faraó, no Egito (cf. Ex 14,1-31). Foi também hoje, nesta noite bendita – nesta mesma Noite! –, que o Pai, derramou seu Espírito Santo sobre o nosso Senhor Jesus que estava morto e o arrancou das trevas da morte, fazendo-o passar para a luz da plenitude da vida. Finalmente, numa noite como esta, num hoje como hoje, no meio da noite deste mundo, em plena escuridão da história, o Pai enviará o Cristo ressuscitado, pleno de glória, e brilhará, no meio da noite deste mundo, o dia eterno, da glória eterna, na plenitude do Reino! E já não haverá mais noite e o Cordeiro imolado e ressuscitado será nosso sol, nosso dia eterno (cf. Ap 22,5)!
             Irmãos amados, todas estas noites que se transformam em dia de luz fulgurante, se resumem e estão presentes misteriosamente nesta Noite de Páscoa! Porque nesta Noite Cristo ressuscitou, todas as noites da história da salvação e todas as noites deste mundo, e todas as noites da nossa vida e do nosso coração, são transformadas em Dia pleno, Dia triunfante, Dia resplendente de glória! Oh noite de alegria verdadeira, que enche o céu e a terra com a glória de Deus.
Todavia, muitos ainda estão procurando pelo morto na sepultura. Ainda desconfiam de sua ressurreição. Talvez penseim que o mundo de violência, fome, guerra e injustiças tenha vencido o Deus da vida. Mas eles se enganam! Deus ressuscitou e está vivo em cada coração que O aceita e segue seus passos. Ele está presente em cada gesto de amor, fraternidade, paz e justiça. Ele vive em cada Eucaristia celebrada, em cada membro batizado que abraça a fé. Cristo venceu o maligno tentador que aprisionava o coração humano. Não temeremos mais a morte porque em Cristo somos mais que vencedores. Mas porque ainda existem tantos sinais de morte? A resposta está em cada um de nós. Jesus está vivo, porém,  espera que cada um de nós O aceite como seu Senhor e guia. Ele não quer forçar pelo poder, nem pela violência; ele deseja que livremente o homem O aceite com seu Deus e Senhor.
Irmãos, Cristo ressuscitou! O sepulcro está vazio! Irmãos, Cristo, nosso Caminho, abriu-nos o caminho da vida! Vivamos a vida nova, porque agora nossa vida tem rumo, sentido e plenitude: na treva humana brilhou em Cristo a luz de Deus! Feliz Páscoa, Cristo ressuscitou, Aleluia!

Pe. Fantico Borges, CM

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