sábado, 19 de janeiro de 2019

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – II Domingo do Tempo Comum – Ano C


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – II Domingo do Tempo Comum – Ano C

O tempo da Alegria chegou: Jesus esta no meio de nós!

No tempo comum, que sucede as festas natalinas, revivemos os principais Mistérios da Salvação. Conhecemos a vida pública de Jesus suas ações ao longo de sua catequese ao Reino do Pai. O centro da liturgia desse domingo é o mistério nupcial de Deus com a humanidade. Esse mistério é apresentado numa boda de casamento. Lá Jesus manifestará seu poder de trazer a alegria perdida pelo pecado ao coração da humanidade. O vinho novo é essa alegria e essa alegria é Jesus Cristo, o verdadeiro noivo da humanidade.
O Evangelho (Jo 2, 1-11) fala das Bodas de Caná. O motivo da escolha deste texto, para este domingo – o segundo depois da Epifania – é explicado na frase conclusiva: Jesus, em Caná da Galiléia, deu inicio aos sinais e manifestou sua glória e seus discípulos creram nele (Cf. Jo 2, 11). A realidade manifestada por Jesus hoje é aquela dos designíos de Deus ao criar o homem e a mulher, ou seja, fazê-los para serem felizes. A felicidade ou a visão beatífica cujos santos são testemunhas reais é o caminho da realização humana e porta do céu. Por isso, uma pessoa de fé em Deus nunca deve cantar: felicidade foi embora... Nossa felicidade chegou exatamente com Jesus. Ele é a nossa felicidade. O cristão deve cantar assim: Cristo é a felicidade, sem ter Jesus nesta vida não há quem seja feliz de verdade!
Em Caná aconteceu uma nova epifania de Jesus: ele se manifestou como havia se manifestado no início aos magos e a João Batista no Batismo do Jordão. Segundo o costume da época a festa, o banquete, durava oito dias. Depois de alguns dias começou a faltar o vinho; a alegria daqueles esposos e de sua família estava ameaçada… Assim como muitas pessoas que vivem hoje sem esperança, não encontrando sentido para viver, sem motivação para sonhar. Deus sabe que a humanidade não consegue viver feliz sem encontrar o sentido da vida, e como o sentido nunca está em si mesmo, o homem necessita buscá-lo fora de si.
Todavia, como dizia São Agostinho: aquele que nos criou sem nós não quer nos salvar sozinho. Deus busca fazer o ser humano cooperar com a economia da Salvação. Assim Deus servirá da Virgem Santa Maria para manifestar seu amado Filho ao mundo triste e desiludido. Maria percebe a situação, e diz a Jesus, em tom aflito: “Eles não têm mais vinho”. Jesus pôs um pouco de resistência, mas depois fez o milagre: Da água soube tirar um novo vinho para continuar a festa. A presença de Jesus salvou a alegria dos esposos e permitiu que a festa continuasse.
Acontece em todo casamento aquilo que aconteceu nas Bodas de Caná; começa no entusiasmo e na alegria; o vinho é o símbolo, precisamente, desta alegria e do amor recíproco que lhe é a causa. Mas este amor e esta alegria – como o vinho de Caná – com o passar dos dias e dos anos, consome-se e começa a faltar; todo sentimento humano, exatamente porque humano, é recessivo, tende a consumir-se e a se exaurir; então desaba sobre a família uma nuvem de tristeza e desgosto; aos convidados para as bodas que são os filhos, não se tem mais nada a oferecer, a não ser o próprio cansaço, a própria frieza recíproca e muitas vezes a própria amarga desilusão. O fogo para o qual tinham vindo para se aquecer vai se apagando e todos procuram outros fogos fora dos muros da casa para aquecer o coração com um pouco de afeto.
Quantos casamentos vivendo, ou melhor, sobrevivendo por puro esteticismo sem fogo nenhum, sem alegria e repleto de ressentimentos e situações mal resolvidas. Em muitas situações hoje como faz falta ter uma Maria na vida da gente que sente e percebe a dor que estamos atravessando! Como faz falta aquele convidado ilustre que pode trazer a alegria novamente ao nosso coração! Há remédio para esta triste perspectiva ? Sim, o mesmo remédio que houve em Caná da Galiléia: Convidar Jesus para as bodas! Se ele for de casa, a ele se poderá recorrer quando enfraquecerem o entusiasmo, a atração física, a novidade, enfim, o amor com que se tinha começado como namorados, porque da água da “rotina”, ele saberá fazer brotar, pouco a pouco, um novo vinho melhor do que o primeiro, isto é, um novo tipo de amor conjugal, menos efervescente do que o da juventude, mas mais profundo, mais duradouro, feito de compreensão, de conhecimento mútuo, de solidariedade, feito também de muita capacidade de se perdoar.
Convidar Jesus para o próprio matrimônio! Sim, isto significa reconhecer desde o tempo de namoro que o matrimônio não é uma questão privada entre um homem e uma mulher, em que a religião e o padre devem entrar somente para pingar sobre nós um pouco de agra benta ou para lhe dar um pouco de prestígio exterior com órgão, flores e tapete, mas é uma vocação, um chamado para realizar, de certa forma, a própria vida e o próprio destino; vocação que vem de Deus cuja norma e cuja força devem orientar a vida do casal.
Merecem ser destacadas as palavras de Maria: “Eles não tem mais vinho”; “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2, 3.5). “Em Caná, ninguém pede à Santíssima Virgem que interceda junto de seu Filho pelos consternados esposos. Mas o coração de Maria, que não pode deixar de ser compadecer dos infelizes, impele-a a assumir, por iniciativa própria, o ofício de intercessora e a pedir ao Filho o milagre. Se a Senhora procedeu assim sem que lhe tivessem dito nada, que Teria feito se lhe tivessem pedido que interviesse?” (Sto. Afonso Maria de Ligório). Que não fará quando – tantas vezes ao longo do dia! – lhe dizem “rogai por nós”? Que não iremos conseguir se recorremos a Ela? O que Nossa Senhora não fará pela família que reza em sua intercessão? O que a Virgem não pedirá a Deus pelas mães que rezam pelos seus filhos, pelos homens que do terço que imploram a intercessão da Mãe de Deus? Digo-lhes: ela fará todo o impossível para ajudar.
“Maria põe-se de permeio entre o seu Filho e os homens na realidade das suas privações, das suas infigências e dos seus sofrimentos. Maria faz-se de Medianeira, não como uma estranha, mas na posição de Mãe, consciente de que como tal pode – ou antes, tem o direito de – tornar presentes ao Filho as necessidades dos homens” (Beato João Paulo II).
Neste domingo o recado é nunca esquecer que se não cuidarmos o vinho pode faltar, mas se faltar é só pedir a Maria que fale com seu filho Jesus para trazer de volta a o vinho da alegria que está em seu Sagrado Coração.

Pe. Fantico Borges, CM


sábado, 12 de janeiro de 2019


Homilia do Pe. Fantico, CM – Solenidade do Batismo do Senhor.
Este é meu Filho amado!
Na liturgia deste domingo celebramos  o Batismo do Senhor onde somos chamados a meditar sobre nosso próprio batismo. Mergulhar na pia bastimal e redescobrir a chama acessa pela graça do novo nascimento espiritual. Essa Festa do Batismo do Senhor, celebrada no Domingo depois da Epifania encerra o ciclo das Festas da Manifestação do Senhor, o ciclo de Natal. Comemoramos o Batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito tal como se submetera às demais observâncias legais que também não o obrigavam. Jesus deixou seu exemplo como prova de sua vontade.
O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19).
O dia em que fomos batizados foi o mais importante da nossa vida, pois nele recebemos a fé e a graça. Antes de recebermos o batismo, todos nós nos encontrávamos com a porta do Céu fechada e sem nenhuma possibilidade de dar o menor fruto sobrenatural. É no batismo que o Céu se abre para cada um de nós e entramos em posse, novamente, da vida em Deus.
Para a tradição da Igreja o batismo de Jesus é a efusão do Espírito Santo sobre toda carne humana. Quando o Criador decidiu restaurar todas as coisas em Cristo e devolver à criação seu estado original, como também promover um tempo de graça e paz, escolheu também infundir nesta criação seu Espírito de Amor. Para São Cirilo de Alixandria “o tempo em que o Espírito Santo haveria de descer até nós, a saber, o tempo do advento de Cristo, e o prometeu dizendo: Naqueles dias – se refere aos dias do Salvador – derramarei meu Espírito sobre toda carne.” Este tempo manifestou-se no Batismo de Jesus, pois é através do Espírito derramado na carne de Cristo que nós podemos recebê-lo. Assim o Batismo do Senhor serve mais para nós do que para ele. Foi por nossa causa que ele foi batizado.
Dizer que Cristo recebeu o Espírito enquanto se fizera homem não se deseja diminuir o poder de Jesus nem fazê-lo uma criatura melhor. Ele é Filho de Deus Pai, gerado de sua substância, Deus de Deus, luz da luz. Cristo não se sente ofendido em escutar a voz que vem do céu e diz: esse é meu Filho amado... Nesta voz está um testemunho para todos, o de João. Ele sabe que aquele é o Enviado. Sabe porque é o Espírito de Deus quem autoriza a missão.
Ser batizado é ser um enviado pelo Espírito de Cristo para ir e dar frutos. Somente somos enviados à pela força do Espírito Santo. Cada batizado é um missionário de Cristo no Espírito. Todavia, essa missão não é simples e necessita de muita dedicação e tempo de preparação. Não basta dizer que é missionário precisa-se viver como missionário de Cristo. Ser um batizado em Cristo é ser um discípulo dele e agir como ele.
Essa missão é dada ao Filho de Deus chamado a ser servo sofredor. Jesus que é o Filho e será também o Servo sofredor, anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo.  Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, ser tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”.  O Senhor Deus estará sempre com ele e ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da terra: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
Jesus já começa cumprindo sua missão na humildade: ele entra na fila dos pecadores, para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-se solidário conosco; ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt 3,14s). Assim convinha, no plano do Pai, que Jesus se humilhasse, se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, e não há outro! Não podemos ser verdadeiramente cristãos sem assumir essa missão do servo de Deus.
Ser um cristão não é seguir uma ideologia, um movimento solidário, um partido. Ser cristão é seguir uma pessoa que fez uma opção radical por amor a Deus. Quem deseja ser cristão pensando em holofotes trabalha em vão, nada alcançará porque esse não é o caminho de Jesus. Quem não se humilha para seguir o exemplo do Mestre faz o caminho inverso. A simplicidade de Jesus, sua humildade e sua obediência são caminhos seguros de salvação.  
Hoje é um dia para agradecer a Deus a Graça do Batismo. Agradecer que nos tenha purificado a alma da mancha do pecado original, bem como de qualquer outro pecado que tivéssemos naquele momento. Essa graça sacramental nos convida a conversão e a mudança de vida. diz São Leãao Magno que por essa graça Deus afugenta os maus hóspedes que deseja instalar-se em nossos corações.   Hoje a liturgia faz um convide a retornar a pia batismal para verificar quem você matou e lá deixou para nunca mais voltar. Lá na pia batismal ficou o ser mundano, pervertido, viciado, injusto, mentiroso, orgulhoso e desobediente não deixei que ele torne a viver por seus maus atos. O convide, por fim, é para serdes santos e irrepreensíveis no amor.

Pe. Fantico Borges, CM


  

sábado, 5 de janeiro de 2019

Homilia da Solenidade da Epifania do Senhor – 2019


Homilia da Solenidade da Epifania do Senhor – 2019

Adoraremos o menino-Deus deitado no feno!

Hoje se celebra a epifania do Senhor. O termo grego tem o significado de auto-comunicação, entrada poderosa no campo da notoriedade e referencia-se à chegada de um rei. Também o termo servia para manifestação de uma divindade ou de alguma intervenção prodigiosa divina. Já no campo da fé a epifania entra desde II século com o qual se comemorava a celebração da vinda do Senhor.
A epifania marca a fase final do ciclo natalino. Celebra a manifestação de Deus ao mundo, na figura dos reis magos que, representando o mundo inteiro, vão adorar o menino Jesus em Belém. A liturgia, neste sentido, retorna o tema da luz – luz que brilha não só para o povo oprimido de Israel – como manifesta a leitura de Isaias –, mas para todos os povos, segundo a visão do profetismo universalista que escreveu o final de Isaias. Jerusalém, restaurada depois do exilio da Babilônia, é vista como centro para o qual convergem as caravanas do mundo inteiro. Essa visão recebe um sentido pleno quando os magos vindos do oriente procuram o messias nascido de Davi – nos arredores de Jerusalém, em Belém, cidade de Davi. E nesta visão São Paulo complementa que a vinda de Jesus não é benção apenas para Israel, mas também para todos, para os pagãos, os povos distantes.
Belém representa a comunidade-testemunho, não apenas o lugar oficial de Davi, lugar do império de Herodes. Ela é centro do mundo, não para si mesma, mas para quem  procura o agir de Deus. Não em Roma, nem em Jerusalém de Herodes, mas em Belém do presépio é que a estrela parou. Com isso Deus quer mostrar que a manifestação do reino não depende do poder humano, mas da força da graça de Deus. Diz São Leão Magno que quando os reis magos vieram adorar a Jesus, “eles não o viram expulsando a demônios, ressuscitando aos mortos, dando visão aos cegos, curando os aleijados, dando a faculdade de falar aos mudos, ou qualquer outro ato que revelava seu poder divino; mas viram a um menino que guardava silêncio, tranquilo, confiado aos cuidados de sua mãe” (São Leão Magno, Sermão sobre a Epifania).  
Ao significado dos três presentes que os reis levaram ao Menino Jesus: ouro, incenso e mirra, estão ali representados o significado da vida de Jesus no mundo.  Ao rei, o ouro; incenso a Deus deitado no presépio, mirra ao homem que morreria por nós.  Jesus é Deus, Homem e Rei. E, nessa sociedade que, entre outras coisas, coloca Deus em plano inferior Jesus quer reinar, deseja a adoração das suas criaturas, quer que os homens e as mulheres valorizem mais o ser humano como tal, que a pessoa humana não pise a própria dignidade. Por isso, quando vemos que homens envaidecidos pela sabedoria mundana, e apartados da fé de Jesus Cristo, são arrancados pelos pecados, da presença graça de Deus, e, por isso tratam mal seus semelhantes, só temos que pensar na necessidade de olhar para a estrela que guiou os magos e seguirmos o caminho do presépio, que nos levará à humilde cena do menino deitado no feno.  
Como os reis magos, tampouco nós iremos de mãos vazias ao encontro do Senhor; ao contrário, levaremos presentes ao Menino Jesus: a nossa adoração já que ele é Deus; as nossas reparações, que desejamos que estejam simbolizadas na mirra, àquele que morrerá pelos nossos pecados; levaremos ainda os propósitos de viver melhor como homens e como mulheres, como filhos e filhas de Deus, reconhecendo a alta dignidade que recebemos e à qual somos chamados. Alegramo-nos com “profunda alegria” (Mt 2,10) ao ver a estrela de Belém, isto é, ao ver esse Menino que iluminou a nossa vida e nos deu a missão de iluminar a dos outros, não com outra luz, mas com a sua. Efetivamente, com a vinda do Filho de Deus, todos, sem distinção, podem caminhar segundo Deus. Todos somos filhos de Deus, todos somos irmãos.
Nós, os cristãos, temos que manifestar aos outros o sentido das suas próprias vidas através da consciência e da vivência do autêntico sentido da existência. Todos precisam saber o porquê estão nesse mundo: para amar, adorar e glorificar a Deus, para receber os grandes presentes que o Senhor quis trazer-nos, para vivermos como irmãos. Nós fomos criados para a felicidade. Deus quer que sejamos felizes também aqui na terra e, depois, no céu… para sempre!
São Boaventura afirmava que a estrela que nos conduz a Jesus é triple: “a Sagrada Escritura, que temos que conhecê-la muito bem. A outra estrela é a aquela que sempre nos está facilitando andar pelas sendas de Deus fazendo-nos ver e acertar o caminho, esta estrela é a Mãe de Deus, Maria. A terceira estrela é interior, pessoal, e são as graças do Espírito Santo”.
E se quiséssemos considerar atentamente como possível, para todos os que se aproximam a Cristo pelo caminho da fé, aquela tríplice classe de dons, não descobriríamos que esta oferenda se realiza no coração de quantos retamente creem no Cristo? Retire efetivamente ouro do tesouro de seu coração quem reconhece a Cristo como rei no universo; oferece mirra quem crê que o unigênito de Deus assumiu uma verdadeira natureza humana; venera a Cristo com uma espécie de incenso quem confessa que ele em nada é diferente da majestade do Pai. Tudo isso munido de uma vida perpassada pelas ações de caridade, promoção da vida, orações contates, frequência à confissão e participação regular à eucaristia.

Pe. Fantico Borges, CM

sábado, 29 de dezembro de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Domingo da Sagrada Família


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – Domingo da Sagrada Família

No Domingo após o Natal celebra-se a festa da Sagrada Família Jesus, Maria e José. Deus quis manifestar-se aos homens integrado numa família humana. Essa Família se torna modelo para toda família humana. Deus quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Pode-se dizer que hoje celebramos o verdadeiro Dia da Família!
A Palavra de Deus em (Eclo. 3, 3 – 7. 14 – 17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus. Num mundo tão individualista a gratidão é um sinal profundo de amor a Deus e obediência à sua vontade.
Na segunda leitura, São Paulo, em Cl 3, 12 – 21, enumera as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família, é aquele que tem o seu fundamento no amor de Deus.
A Sagrada Família é proposta pela Igreja como modelo de todas as famílias cristãs: na casinha de Nazaré, Deus ocupa sempre o primeiro lugar e tudo Lhe está subordinado. Os lares cristãos, se imitarem o da Sagrada Família de Nazaré, serão lares luminosos e alegres, porque cada membro da família se esforçará em primeiro lugar por aprimorar o seu relacionamento pessoal com o Senhor e, com espírito de sacrifício, procurará ao mesmo tempo chegar a uma convivência cada dia mais amável com todos os da casa.
A família é escola de virtudes e o lugar habitual onde devemos encontrar a Deus.
Cada lar cristão tem na Sagrada Família o seu exemplo mais cabal; nela, a família cristã pode descobrir o que deve fazer e como deve comportar-se, para a santificação e a plenitude humana de cada um dos seus membros. Diz o Papa Paulo VI: “Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa muito simples, muito humilde e muito bela manifestação do Filho de Deus entre os homens. Aqui se aprende até, talvez insensivelmente, a imitar essa vida”.
Quando os pais de Jesus começam a procura-lo entre os vizinhos e parentes não o encontra. Somente é encontrado no templo em meio aos doutores da lei. Isso nos ensina que o lugar onde devemos procurar Jesus é na Igreja, na comunidade. A Sagrada Família que é um espaço de intimidade com Deus, sabe que Deus está no templo de Jerusalém. Aqui é a casa de Deus e seu amor se manifesta pela obediência e respeito.     
A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família (como divórcio, aborto, união de pessoas do mesmo sexo) são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.
O Messias quis começar a sua tarefa redentora no seio de uma família simples, normal. O lar onde nasceu foi a primeira realidade humana que Jesus santificou com a sua presença.
Hoje, de modo muito especial, pedimos à Sagrada Família por cada um dos membros da nossa família e pelo mais necessitado dentre eles.
Maria, Rainha da Família, rogai por nós!

Pe. Fantico Borges, CM


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Homilia Pe. Fantico Borges, CM – Missa de Natal


Homilia Pe. Fantico Borges, CM – Missa de Natal

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a carne!

Nasceu Jesus, é natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a carne! Vida nova que brota do amor misericordioso de Deus. Aos homens que viviam nas sombras do pecado, marcados pelas trevas dos erros, nasceu uma nova luz, uma luz resplandeceu para todos! Essa mensagem fez crescer a alegria e aumentou a certeza da nossa felicidade.
Todos são chamados a regozijar-se em Deus, contemplando a sua presença no presépio. Como alegres pessoas que descobriram um tesouro ou ganhadores de uma loteria, a satisfação invade os corações de quem descobriu o verdadeiro sentido do natal.
Nasceu hoje para vós o Salvador! Por isso, nesta noite não cabe tristeza, não cabe amargura ou rancor. Deus veio visitar-nos e perdoar nossa divida. Alegria e exultação, festa e jubilo felicidade e amor são esses nossos sentimentos hoje! Abramos nosso coração, abramos nossa vida, nossos afetos, nossos sentimentos, nossos projetos para o mistério deste dia de natal.
Belém se faz aqui, hoje, é dia da gente se encontrar, é dia de renascer, o senhor conosco quer morar! Por Ele os anjos cantam jubilosos, os coros dos santos exultam de alegria! O anjo de Deus vem dizer-nos novamente: não tenhais medo! Hoje na cidade de Davi, nasceu para vós o salvador, que é Cristo Senhor.
Juntemos nossa voz a voz dos anjos no céu a cantar: glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por ele amados! Essa mensagem de paz é o símbolo mais concreto do natal. Num mundo que patrocina a guerra, numa cultura de ameaças, verbalizando um contexto de guerra, onde falta caridade e sobra arrogância, a passagem do natal quer ser uma palavra de protesto. Como cristãos não podemos nos calar diante da violência que mata tantas pessoas, que aborta tantas vidas inocentes. Os cristãos não podem mais calar em meio aos escândalos de corrupção de ceifam sonhos e massacram os pobres. Não podemos aceitar passivamente que matem crianças que não chegarão a conhecer a luz da vida. Não podemos concordar com uma cultura de morte que massacra milhares de vidas. Enquanto hoje muitos vão para casa comer e celebrar o natal pense nos milhares de irmãos refugiados que não têm um teto para descansar, uma escola para estudar, um local para trabalhar. Pense nos tantos irmãos venezuelanos que fogem da miséria de seu país. Como será para eles o natal? Que tempo da graça eles podem vislumbrar? Não podemos aceitar que uma américa cristã conviva com a violência sem fim.
   Despojemo-nos, portanto, do velho homem com atos perversos e renunciemos as discórdias. Partilhemos o amor e um pouco dos nossos bens com os que nada têm e façamos do natal a festa da solidariedade. Desde encarnação do Filho de Deus já participamos da natureza divina, não voltemos à escuridão por comportamentos indignos de Cristo. Lembremos de que cabeça e de qual corpo fazemos parte!  
Neste momento em que o criador se faz criatura é necessária as palavras de Santo Agostinho: “Expergiscere, homo: quia pro te Deus factus est homo - Desperta, ó homem, porque por ti Deus se fez homem!  Por tua causa Deus se fez homem. Estarias morto para sempre, se ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te livrarias da carne do pecado, se ele não tivesse assumido uma  carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a sua misericórdia. Não voltarias à vida, se ele não tivesse vindo ao encontro da tua morte. Terias perecido, se ele não te socorresse. Estarias perdido, se ele não viesse salvar-te". Agradeça a Deus sua infinita misericórdia por ti construindo, já aqui e agora, na cidade dos homens, a cidade de Deus!

Pe. Fantico Borges, CM

sábado, 17 de novembro de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano B


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM –  XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Onde há Cristo sempre haverá esperança!

A liturgia deste domingo, o penúltimo do tempo comum de 2018, fala da volta de Cristo manifesta nos sinais dos tempos que antecedem a segunda vinda de Jesus. O próximo domingo, dia 25, será o Domingo de Cristo Rei, ou seja, a festa da vitória, o trunfo do reinado de Jesus Cristo.
Na primeira leitura é clara a convicção do autor que existe vida após a morte e que todos ressuscitarão uns para felicidade eterna outros para opróbio eterno. Neste sentido, a Palavra de Deus convida-nos a meditar no fim último do homem, no seu destino derradeiro. A meta final, para onde Deus nos conduz, faz nascer em nós a esperança e a coragem para enfrentar as adversidades e lutar pelo advento do Reino. Jesus deseja animar a todos que confiam em Deus a não desanimarem diante das dificuldades existentes.
O Profeta Daniel (Dn 12, 1-3) mostra o povo judeu oprimido sob a dominação dos gregos. Muitos judeus, apavorados pela perseguição, abandonavam até a fé. O objetivo do livro de Daniel é animar o povo a resistir diante dos opressores e lembrar que a vitória final será dos justos que perseverarem fiéis. É a primeira profissão de fé na Ressurreição, que se encontra na Bíblia. É interessante notar que existe uma relação com a vinda de Miguel, o defensor e Jesus o Filho do Homem que vem para reunir os eleitos de Deus.
No Evangelho (Mc 13, 24-33) no discurso escatológico, Jesus ensina como os seus discípulos devem viver no tempo que vai de sua elevação da terra até o seu retorno glorioso. Jesus anuncia a destruição de Jerusalém e o começo de uma nova era, com a sua vinda gloriosa após a ressurreição. A intenção não era assustar, mas conduzir a comunidade a discernir os fatos catastróficos e o futuro da comunidade cristã dentro da história.
O importante não é pensar no fim do mundo, mas no início de uma nova mentalidade no mundo, ou seja, um mundo onde os valores humanos são respeitados e Deus não é usado para salvaguardar privilégios de uns poucos predestinados. Jesus manifesta com seu modo de ser que Deus está do lado dos justos, que cumprem a vontade de Deus. Não importa saber o dia e hora, o que é essencial é está sempre preparado para este dia. Portanto, o mais importante não é saber quando isso irá acontecer, mas sim estar vigilantes e preparados para ele. O cristão não pode ficar de braços cruzados, esperando que as coisas simplesmente aconteçam. O Papa Francisco chama toda Igreja a olhar para mundo e ver os sinais dos tempos. Ser cristão e não olhar para realidade humana é não compreender o sentido real do Cristo. Ele se fez carne, gente, entrou no mundo e a partir dele salvar o homem integralmente.
A vida é realmente muito curta e o encontro com Jesus está próximo. Mas não se pode dizer Ele está aqui ou Ele está ali! Jesus está em nós. Essa certeza evangélica ajuda-nos a desprender-nos dos bens que temos e aproveitar o tempo para ser mais útil aos outros. Como diz o ditado popular: “quem não vive para servir não serve para viver”.  
Neste domingo dia 18 de novembro o Santo Padre Papa Francisco instituiu o dia internacional do pobre. Com esse dia, na verdade, o Papa quer alertar a todos os cristãos e a toda gente de boa vontade, que temos muitos irmãos e irmãs, filhos de Deus, amados por Jesus, eleitos e convocados ao Reino que vivem esquecidos como se não existissem. Pessoas que como nós tem esperança em Cristo, mas estão isolados do outro lado do muro que separa os poucos ricos dos muitos pobres. É uma vergonha que nossa cultura cristã ou cristianizada ainda fabrique tanta pobreza e injustiça. Mais que um dia para dar um prato de comida para um pobre, a ideia procurar visibilizar que existem muitos milhares de pessoas passando fome e morrendo todos os dias sem assistência alguma.

Pe. Fantico Borges, CM

sábado, 18 de agosto de 2018

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM na Festa da Assunção de Nossa Senhora.


Homilia do Pe. Fantico Borges, CM na Festa da Assunção de Nossa Senhora.


Maria no céu de corpo e alma é nossa esperança!

Essa festa solene deste domingo é a repleta da certeza daquela esperança da salvação eterna, da qual Jesus prometeu para todos os que permanecerem fiéis até o fim. Esperamos conseguir do Senhor o que Maria, sinal glorioso da Igreja, já conseguiu. Esperamos estar completos, corpo e alma, com o Senhor. Ao contemplar a Mãe de Deus de maneira tão gloriosa no dia de hoje, os nossos corações se enchem de luz e de esperança. Deus cuida de nós e nos conduz cada vez mais à sua vida divina.
A teologia patrística da Igreja, especialmente, São João Damasceno, fala com clareza da existência da incorruptibilidade do corpo de Nossa Senhora. Por isso, afirma a dormição de Maria.  Para a antiga compreensão “dormição” não significava necessariamente ausência de morte, mas um estado de sono que o corpo entrava. Outro defensor da Assunção de Nossa Senhora na Idade Média foi o assim chamado “Pseudo-Agostinho” (século IX); também Baldo de Ubaldi, no século XV,  foi um grande defensor desta verdade de fé. Finalmente, o Papa Pio XII definiu solenemente o dogma da Assunção no dia 1 de novembro de 1950 através da Constituição “Munificentissimus Deus”. Inclusive o nome desta constituição deixa claro que se trata de uma graça de Deus “munificentissimus”, isto é, generosíssimo.  Uma graça tal que é um privilégio: Maria recebeu o privilégio de que nela fosse antecipado aquilo que acontecerá com todos os eleitos. Para São João Damaceno: “ Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador como criancinha fosse morar nos tabernáculos divinos.” A compreensão que Maria está no céu de corpo e alma casa-se muito bem com a altíssima missão que lhe coubera na economia salvífica de Deus.
O Papa Pio XII declara então “que é dogma divinamente revelado: que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, ao término de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória do céu”. É interessante que antes do Papa definir o quarto dogma sobre Nossa Senhora, ele recorde os outros três: Mãe de Deus, sempre Virgem (antes, durante e depois do parto), Imaculada. Pio XII não diz se Maria, antes de ser elevada ao céu, morreu ou não: isso continua como tema aberto à livre discussão teológica, isto é, pode-se defender uma ou outra coisa. O que todos devem reter como doutrina de fé solenemente definida é que ela, Nossa Senhora, foi elevada em corpo e alma aos céus, antecipadamente, como privilégio.
Essa certeza dogmática que Maria já alcançou a graça redentora de seu Filho é a nossa maior esperança da vida eterna aberta por Jesus no altar da cruz. A esperança é virtude sobrenatural, teologal, uma disposição plantada pelo Senhor na nossa alma que nos une a ele através da vontade, do desejo. Esperamos em Deus e nos auxílios (graças) que ele nos concede para alcançá-lo. Temos a firme esperança de chegar ao céu, à bem-aventurança eterna. É nesse sentido que a Assunção de Maria nos anima a continuar com os olhares fixos na meta: uma como nós conseguiu aquilo que nós conseguiremos. O nosso caminho rumo ao céu já foi realizado por uma da nossa raça. Assim como ela chegou lá por graça, também eu posso.
O que fazer, então, para está junto com Maria na glória de Deus? Fazer tudo o que o Senhor nos disser. Há uma serie de indicações nos Evangelhos sobre aquilo que temos que realizar em nossa vida terrenal para chegar com Maria, os santos e santas ao céu. Tomemos duas orientações básicas: Amar a Deus acima de tudo, ou seja, nada, nem poder, honras, dinheiro, riquezas, títulos, são mais importantes do que a amizade com Deus. Tudo faça para ser amigo de Deus. A segunda orientação é amar o próximo como a si mesmo. Ninguém, em sã consciência, odeia sua própria carne, ou seja, ninguém que o mal para si. Então, é preciso desejar para o outro um amor no qual desejo para mim mesmo. Disto brota a caridade, a justiça, a lealdade, a hospitalidade, o respeito, etc.

Pe. Fantico Borges, CM


Homilia do XVIII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

Homilia do XVIII Domingo do Tempo Comum (Ano C) Um homem vem a Jesus pedindo que diga ao irmão que reparta consigo a herança. Depois ...