sábado, 20 de fevereiro de 2016

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – II Domingo da Quaresma – Ano C Escuta-O sempre!

Homilia do Pe. Fantico Borges, CM – II Domingo da Quaresma – Ano C

Escuta-O sempre!

Neste domingo Jesus revela o esplendor da sua Glória, glória essa fruto do compromisso com a cruz salvadora.  No Evangelho ( Lc 9, 28-36 ) apresenta a fé dos Apóstolos, fortalecida na Montanha, pela Transfiguração de Jesus. Na Caminhada para Jerusalém, o primeiro anúncio da Paixão e Morte de Jesus abalou profundamente a fé dos apóstolos. Gerou a “crise da galileia”. Desmoronaram seus planos de glória e de poder.
Para fortalecer essa fé ainda tão frágil… Cristo tomou três deles… subiu ao Monte e “Transfigurou-se…” A transfiguração de Jesus é uma catequese que revela aos discípulos e a nós Quem é Jesus: O Filho Amado de Deus! Dizia São Leão Magno: “O Salvador do gênero humano, Jesus Cristo, lançando os fundamentos daquela fé que converte os ímpios à justiça e restitui os mortos à vida, formava seus discípulos por doutrinas e milagres a fim de crerem que o mesmo Cristo é o Unigênito de Deus e o Filho do Homem”. Com isso Jesus unia no coração e na mente dos discípulos que Aquele mesmo que morreu na cruz era o mesmo que sempre esteve na glória dom Pai com Eterno Filho do Eterno Pai. A transfiguração, então resplandecia a divindade do Deus-Filho na humanidade do Filho do Homem. 
Nesta caminhada quaresmal somos também convidados a subir com Jesus a montanha e, na companhia dos três discípulos, viver a alegria da comunhão com Ele. As dificuldades da caminhada não podem nos desanimar. No meio dos conflitos, o Pai nos mostra desde já sinais da Ressurreição e do alto daquele monte Ele continua a nos gritar: “Este é o Meu Filho Amado, escutai-O”. Para São Leão Magno “a principal finalidade desta transfiguração era dissipar nos corações dos discípulos o escândalo cruz e que humilhação da paixão voluntária não perturbasse a fé daqueles aos quais fora revelada a excelência da dignidade oculta”. Os Apóstolos jamais esquecerão esta “gota de mel” que Jesus lhes oferecia no meio da sua amargura.
Esta centelha da glória divina inundou os Apóstolos de uma felicidade tão grande que fez Pedro  exclamar: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas…” Pedro quer prolongar a situação! O que é bom, o que importa, não é estar aqui ou ali, mas estar sempre com Cristo, em qualquer parte, e vê-Lo por trás das circunstâncias em que nos encontramos. Jesus não o repreende, apenas aponta que devem descer a montanha a fim de ser fiel até o fim, pois não há glória sem cruz, não há vitória sem sacrifícios, não há conquistas sem esforços.  
A vida dos homens é uma caminhada para o Céu, que é a nossa morada (2 Cor 5,2). Uma caminhada que, às vezes, se torna áspera e difícil, porque com frequência devemos remar contra a corrente e lutar com muitos inimigos interiores ou de fora. Mas o Senhor quer confortar-nos com a esperança do Céu, de modo especial nos momentos mais duros ou quando se torna mais patente a fraqueza da nossa condição.
O pensamento da glória que nos espera deve animar-nos na nossa luta diária. Nada vale tanto como ganhar o Céu. Ensina Santa Teresa: “ E se fordes sempre avante com esta determinação de antes morrer do que desistir de chegar ao termo da jornada, o Senhor, mesmo que vos mantenha com alguma sede nesta vida, na outra, que durará para sempre, vos dará de beber com toda a abundância e sem perigo de que vos venha a faltar” (Caminho de Perfeição, 20,2).
“Este é o meu Filho amado, no qual ponho a minha complacência”. Com estas palavras Deus afirma estar sempre presente junto ao Filho. Quem me viu viu o Pai, aqui se traça o especifico de cada pessoa na Divina Relação de Paternidade e Filiação. A Divindade única e real de cada pessoa. Este é meu Filho amado, não adotivo, mas próprio; náo criado de outrem, mas gerado de Pai, igual a Ele; não de outra natureza comparável a sua, mas nascido da sua essência.  
Escutai-O!” ( Lc 9, 35 ). E Deus Pai fala através de Jesus Cristo a todos os homens de todos os tempos. A sua voz faz-se ouvir em todas as épocas, sobretudo através dos ensinamentos da Igreja…
Tudo que aconteceu naquele monte não foi apenas para utilidade daqueles que escutaram, mas para a Igreja inteira. Aquilo que viram os olhos dos apóstolos transmitiram de sua audição. Aquela cena marcou a ainda marca nossa história de fé. Ninguém se engane da cruz de Cristo, pela qual o mundo foi redimido. Ninguém tema sofrer pela justiça ou desamine da retribuição prometida. Pelo labor se passa ao repouso, pela morte se transita para avida. Uma vez que Cristo assumiu toda a fraqueza de nossa humanidade, se permanecermos na confissão e no amor a ele, venceremos como ele venceu, e receberemos o que prometeu. Na prática dos mandamentos, ou no suportar as adversidades, deve ressoar sempre nos nossos ouvidos as palavras cheias de encanto de Deus: “este é meu Filho amado, escutai-O” .



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Homilia da Quarta-Feira de Cinzas do Padre Fantico Borges, CM

Homilia do Padre Fantico Borges, CM

Quaresma caminho de conversão pessoal.
Quero começar minha reflexão para esta quata-feira de Cinzas lembrando de São Leão Magno que dizia: “ Sabendo, porém, que chegaram os dias santos da quaresma, cuja observância perdoa todas as faltas passadas, apaga todas as negligências”. Com esta frase desejo lembra-los que a quaresma é tempo para recomeçar.
A quaresma é um itinerário espiritual onde somos convocados a contemplar o Mistério da Cruz, fazendo o caminho do calvário, rumo a ressurreição. Para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela ação do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo; são os meios de por em marcha essa conversão. Novamente vem me minha memoria as palavras do Papa São Leão Magno: “...não prevaleceremos sobre nossos inimigos se não prevalecermos, antes, sobre nós mesmos.” Muitos combates começam dentro de nós, os desejos; as paixões do corpo; o anelo de controlar as pessoas e o poder, dentre outros, mostram que o inimigo não mora muito longe de nós. Por isso, o período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.
O primeiro passo deste itinerário é contemplar o Mistério da Cruz. Olhar com profundidade o Silêncio penetrante e salvífico da Cruz. No “Silêncio da Cruz de Cristo, nasce a certeza da nossa vitória”. Todos os exercícios quaresmais: jejum, esmola, oração e tantos outros nascem, recebem e se nutrem da forca da Cruz de Jesus. A prova disso é que recebemos do Mistério da Cruz a força para unir-nos à mesma Cruz, ou seja, aquilo que Deus nos pede, ele nos concede: Deus pede que rezemos, Ele nos dá a graça da oração. Deus nos pede que façamos penitência, Ele nos dá a graça para realizá-la. Deus pede que partilhemos e que não sejamos egoístas, Ele nos dá a graça da generosidade e da esmola. Não podemos mais confiar nas nossas próprias forças! A experiência grita aos nossos ouvidos: “somente com as próprias forças não é possível!” E é assim. Mas também é verdade aquele grito celestial: com a graça de Deus, tudo é possível! S. Paulo experimentou e expressou essa realidade de uma maneira maravilhosa, confiando na graça de Deus pôde dizer aquelas palavras aparentemente contraditórias: “quando eu sou fraco, então, é que sou forte” (2 Cor 12,10).
O itinerário que a quaresma nos convida a realizar nasce da consciência que necessitamos de conversão pessoal. São João Crisóstomo, ensinava que existem distintos e diferentes meios que conduzem a alma para este fim. Para ele o primeiro era a acusação dos próprios pecados.  Pois se condenamos nós mesmos aquilo que pecamos esta contrição obterá o perdão diante do Senhor. Condenar aquilo que se fez de errado, com menos facilidade de recaímos no erro. Por isso, que quem não faz reta contrição dificilmente alcançará a graça da paz interior.
Um segundo caminho proposto por São João Crisóstomo consiste em perdoar as ofensas que recebemos de nossos inimigos, de tal forma que, colocando limites a nossa ira, esqueçamos as faltas de nossos irmãos. Quem assim age receberá o perdão de Deus, pois Cristo disse: perdoai nossas faltas como nós perdoamos a quem nos têm ofendidos.
O segundo caminho é a Oração fervorosa e contínua, que brota do íntimo do coração. Pela oração a pessoa entra em contato estreito com Deus, unido-se ao seu mistério de amor. Quem reza vive na presença de Deus e sabe escutar sua voz, por isso, lhe é mais obediente. Como não existe frutos sem obediência a oração prepara os corações para confiar somente em Deus e esperar sempre no seu amor. Pela oração o ser humano caminhas nas sendas de Deus partilhando do seu mistério de amor, que uni a Santíssima Trindade. 
 Uma terceira via é a esmola. Ela possui uma enorme vitalidade, porque abre nosso coração ao sofrimento alheio e torna-nos mais sensíveis aos apelos de Deus, em favor do Reino. Ensina-nos, São João Crisóstomo, a esmola nos leva a uma humildade que significa agir com modéstia, sem desejo de recompensa humana, como fazem os hipócritas. Neste caminho quem dar recebe mais do que aquele beneficiado. A esmola ínsita a entrar na vida dos mais frágeis e acudi-los em suas necessidades, reconhecendo neles o Cristo que sofre.  Assim, a esmola dista de uma ajuda pretenciosa ou interesseira, que buscaria honras pessoais ou reconhecimento de um ato realizado; ao contrario, a esmola cristã é aquela feita em nome de Deus, por Ele e n’Ele. Não busca recompensa nem a faz por interesses pessoais, age apenas por misericórdia. 
Neste itinerário quaresmal, que iniciamos hoje ninguém deixe de esforça-se ao máximo para chegar mais santo na Páscoa. Nas sendas da graça tudo é possível e quem espera no Senhor sempre alcança. Tomemos estes quarenta dias como um verdadeiro retiro espiritual, pondo nossa atenção na oração pessoal, que será nossa vigia, reconciliando-nos com Deus, como ponte para atravessar as tentações, como mura contra as tribulações, vitória nas batalhas, sustentáculo do espírito, e desterro da tristeza. Que Maria, mãe de Jesus e da Igreja caminhe conosco por essa estrada da conversão. Amém


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015


Homilia do dia de natal  25/12/2015


“Um Menino nasceu para nós: um Filho nos foi dado! O poder repousa nos seus ombros. Ele será chamado ‘Mensageiro do Conselho de Deus’”. Estas palavras, lidas na leitura da Missa da Noite, dão bem o sentido da presente celebração. Nasceu para nós um Menino; foi-nos dado um Filho! Vamos encontrá-lo pobrezinho e frágil, deitado na manjedoura, alimentado por uma Virgem Mãe, guardado por um pobre carpinteiro. Mas, quem é este Menino? Quem é este Filho? Agora, com o sol já claro e alto, podemos enxergar melhor o Mistério: meditemos bem sobre o que celebramos na noite de ontem para hoje, no que professamos neste dia tão santo!
Este menininho, a Escritura nos diz que ele é a Palavra eterna do Pai: esta Palavra “no princípio estava com Deus… e a Palavra era Deus”. Esta Palavra, que dorme agora no presépio, depois de ter mamado, é aquela Palavra poderosa pela qual tudo que existe foi feito, “e sem ela nada se fez de tudo que foi feito”. Esta Palavra tão potente, feita tão frágil, esta Palavra que sempre existiu e que nasceu na madrugada de hoje, esta Palavra que é Deus, feita agora recém-nascido, é a própria Vida, e esta Vida é a nossa luz, é a luz de toda humanidade. Fora dela, só há treva confusa e densa! Sim, fora do Deus feito homem, do Emanuel, não há vida verdadeira! O Autor da Carta aos Hebreus, na segunda leitura, diz que, após ter falado aos nossos pais de tantos modos, Deus, agora, falou-nos pessoalmente no seu Filho, “a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo”; somente a ele, o Pai disse: “tu és o meu Filho, eu hoje te gerei!” Por isso, somente eles nos dá o dom da vida do próprio Deus!
Eis o mistério da festa de hoje: nesta criancinha nascida para nós, Deus visitou o seu povo, Deus entrou na humanidade. Que mistério tão profundo: ele, sem deixar de ser Deus, tornou-se homem verdadeiramente. Deus se humanizou! Veio desposar a nossa condição humana, veio caminhar pelos nossos caminhos, veio experimentar a dor e a alegria de viver humanamente: amou com um coração humano, sonhou sonhos humanos, chorou lágrimas humanas, sentiu a angústia humana… Ele, Filho eterno do Pai, tornou-se filho dos homens para salvar toda a humanidade, “tornou-se de tal modo um de nós, que nós nos tornamos eternos!”
Ó criatura humana, por que temes com a vinda do Senhor? Ele não veio para julgar ninguém. Não nasceu para condenar. Por isso ele apareceu como criancinha e não como um rei potente; pode ser encontrado na manjedoura, não no trono. Seu chorinho é doce, não afugenta ninguém. Sua mãe enfeixou seus bracinhos frágeis: por que ainda temes? Ele não veio armado para punir. Ele está aí franzino para ficar junto de nós e nos libertar! Celebra, pois, a chegada do teu maior Amigo! Canta Aquele que foi sempre, no sono e na vigília, esperado e ansiado, o guarda de Israel, o consolo da humanidade, o alento do nosso coração. Ele chegou, finalmente! Chegou para nunca mais nos deixar, porque desposou para sempre a nossa pobre humanidade! São Jerônimo, com palavras cheias de ternura, medita sobre este mistério: “O Cristo não encontra lugar no Santo dos Santos, onde o ouro, as pedras preciosas, a seda e a prata reluziam: não, ele não nasce entre o ouro e as riquezas, mas nasce num estábulo, na lama dos nossos pecados. Ele nasce num estábulo para reerguer os que jazem no meio do estrume: ‘Ele retira o pobre do estrume’. Que todos os pobres encontrem nisso consolo! Não havia outro lugar para o nascimento do Senhor, a não ser um estábulo; um estábulo onde se achavam amarrados bois e burros! Ah! Se me fosse dado ver este estábulo onde Deus repousou! Na realidade, pensamos honrar o Cristo retirando o presépio de palha e substituindo-o por um de prata… Para mim tem mais valor justamente o que foi retirado: o paganismo merece prata e ouro. A fé cristã merece o estábulo de palha. Pois bem! Ouvimos a criança choramingar no estábulo: adoremo-la, todos nós, no dia de hoje. Ergamo-la em nossos braços, adoremos o Filho de Deus. Um Deus poderoso, que por longo tempo, bradou alto dos céus e não salvou ninguém: agora choramingou e salvou. A elevação jamais salva; o que salva é a humildade! O Filho de Deus estava no céu, e não era adorado; desce à terra e passa a ser adorado. Mantinha sob seu domínio o sol, a lua, os anjos, e não era adorado; nasce na terra, homem, homem completo, integralmente homem, a fim de curar a terra inteira. Tudo o que não assumisse de humano, também não salvaria…”
É este o mistério do Santo Natal! Tenhamos o cuidado de não parar nas aparências, de não ficarmos somente na meiga cena do Menino, com a Virgem e são José! Este Menino é o Emanuel, o Deus-conosco! Este Menino veio como sinal de contradição, pois diante dele ninguém pode ser indiferente: ou se o acolhe, ou se o rejeita: “A Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não quis conhece-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. Mas, a todos os que a acolheram, deram a capacidade de se tornarem filhos de Deus…” Pois bem: acolhamo-la, a Palavra que se fez Menino, Filho que nos foi dado! Se o acolhermos de verdade, na pobreza do dia-a-dia, no esforço de uma vida santa, então poderemos cantar com o salmista: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!”
Vamos todos! Sejamos testemunhas da graça deste dia, da novidade desta festa. E cumpram-se em nós as palavras da Escritura na leitura da missa de hoje: “Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação e diz a Sião: o teu Deus reina! O Senhor consolou o seu povo! O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão dever a salvação que vem do nosso Deus”. Sejamos mensageiros dessa paz, dessa boa nova, sejamos testemunhas do Menino, irradiemos a graça do Santo Natal! Amém.

Homilia da missa da noite de natal (24/12/2015)


Hoje nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor! Por isso a alegria da Igreja, por isso, a exultação! Abramos nosso coração, abramos nossa vida, nossos afetos, nossos sentimentos, nossos projetos para o mistério desta Noite. Por Ele os anjos cantam jubilosos, os coros dos santos exultam de alegria! Alegremo-no, pois nasceu o Deus-menino! Esta noite é de imensa alegria, como bem dizia, no século V, são Leão Magno, Papa de Roma: “Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. Exulte o justo, porque se aproxima à vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida!” Nesta noite venturosa Deus se fez pequeno, visível aos nossos olhos. Ele quis nos mostrar a sua face e levar-nos ao seu amor.

Então, ouçamos novamente as palavras do Papa São Leão; tomemos o seu apelo para esta Noite: “Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade! Não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra de que cabeça e de que corpo és membro. Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne!” Esta noite nos chama à vida nova. Cristo quer ser luz em nossa vida, esperança em nossas dores e nossa salvação por meio cruz.

Neste momento em que o criador se faz criatura, o sermões de Santo Agostinho, nos oferece o teor desta noite de natal: “Expergiscere, homo: quia pro te Deus factus est homo” - “Desperta, ó homem, porque por ti Deus se fez homem!" E o santo Bispo de Hipona continuava: "Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá! Por tua causa, repito, Deus se fez homem. Estarias morto para sempre, se ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te livrarias da carne do pecado, se ele não tivesse assumido uma  carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a sua misericórdia. Não voltarias à vida, se ele não tivesse vindo ao encontro da tua morte. Terias perecido, se ele não te socorresse. Estarias perdido, se ele não viesse salvar-te". Caríssimos, tomemos consciência de tão grande graça! No Menino que repousa no presépio foi-nos dada agraça para sair do sono miserável de uma vida medíocre e vazia, de uma existência morna e sem sentido. Desperta, ó cristão, porque hoje brilhou para ti a luz! Por ti, o Filho eterno fez-se um de ti! Eis a maior prova de amor de Deus por nós. Como canta a liturgia no missal Gótico da noite de natal: “Aquele que deu forma a todas as coisas recebe a forma de escravo; Aquele que era Deus é gerado na carne; eis que ele é envolvido em panos, Aquele que era adorado no firmamento; e eis que repousa numa manjedoura Aquele que reinava no céu” (Missal Gótico, Missa do Natal).

Por tudo isso, saíamos daqui felizes e cheios de esperança porque nasceu-nos hoje o salvador que é Cristo o Senhor! Feliz natal para todos, Amém!


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Homilia do padre Fantico na Missa do XXVII domingo comum ano b. 04/10/2015


Homilia da Missa do XXVII domingo comum ano b. 04/10/2015

O ser humano se realiza no encontro com outro ser capaz de comunhão com ele.

A narrativa poética de Gênesis nos desvela que é na mulher que o homem se reconhece a si mesmo: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada “mulher”, porque foi tirada do homem”. Adão descobre o seu companheiro para o amor: o ser gestado da suas entranhas, nascido do seu coração. Este ser que o Criador lhe entrega após um longo sono era semelhante a ele, mas diverso. Então está posta a questão da unidade dual: Homem-mulher. Deus criou o ser humano nesta unidade-diversidade que ele só se reconhece na diferença do outro que lhe completa. Aqui na se levanta a questão da defesa do principio heterodoxo da realidade. A vida é um mistério da diversidade na unidade dos distintos.  Isto por que na corporeidade de cada indivíduo estar a complemetariedade do outro: daí que a solidão é o aniquilamento do ser humano. É parte ontológica e constitutiva de cada ser humano o encontro interpessoal. Por isso, dizia Aristóteles, na ética anicômago, que o ser humano é essencialmente político, ou seja, de relações.   No campo teológico esponsal este Outro é Deus. Em Cristo Esposa a Igreja esposa esta chamada a fidelidade do matrimônio do mistério nupcial de Cristo com a Igreja. Assim, é no encontro com o diferente hetero, e não no homo, que o ser humano se descobre em todas as suas potencialidades.
 No evangelho, Jesus não se refere a nenhuma prescrição da lei, mas retoma a cena da manhã original, não como uma lembrança do passado, mas como a imagem do paraíso, e, de uma realidade essencial inserida no coração: “Os dois formarão uma só carne, assim, já não são dois, mas uma só carne”. O profundo laço que une o homem e a mulher têm, no contexto do Genesis dois significados: primeiro que o amor conjugal é superior a qualquer outro laço, mesmo o laço paterno; depois que é tão intimo e tão profundo que ultrapassa o plano meramente corporal: os dois se tornam uma só carne! Aqui se afirma a indissolubilidade do vínculo matrimonial. Neste sentido, a perene natureza do matrimônio, antes de ser uma norma eclesiástica é imperativo constitutivo do encontro do ser humano com Deus.
O Papa São João Paulo II, nas suas catequeses sobre o amor humano ensinava: “A esponsalidade do amor humano é antes um dom do que uma lei”. Como dom ela brota do amor de Deus derramado na criatura. A questão principal é portanto, saber como reconduzir ao paraíso do amor e à vontade divina tal como ela se manifestou no princípio. Jesus nos afirma que a nossa única regra, que resume toda a Lei e os profetas, é a do amor, tal como existia no paraíso, pois só o seu sopro possui a amplidão e a infinitude do próprio Deus.
Na sua resposta à provocação dos fariseus – estritos cumpridores da Lei – Ele faz saber que os homens e mulheres não são atados em razão de uma vontade humana e não podem ser separados por esta mesma vontade. Jesus garante que o vínculo entre os que se amam vem da força de Deus e tem origem divina. Para Ele, são as pessoas, inundadas e sustentadas pelo sopro divino, que fundam e respondem pelos esponsais e não os poderes civis e religiosos que os instituem. O amor salva e as leis que inventamos salvaguardam os direitos adquiridos. Jesus quis e quer uma humanidade liberada dos constrangimentos, da angústia, da humilhação e dos sentimentos de culpa. Só a dureza de coração tem necessidade de leis rígidas que nada têm a ver com as palavras de amor de Deus.
No evangelho, Jesus nos remete à tradição e nos lembra que o Deus-Esposo não rompe a sua Aliança e nem repudia o seu Povo-Esposa por não ter sido totalmente fiel ao Seu amor. Para Cristo o amor dos homens não morre nunca, porque nasce do amor de Deus. Por isso, o amor do homem e da mulher não caminha para a morte. O divorcio é a tragédia epopeica do definhamento humano. Daí que a Igreja não aceita o divorcio e prega a indissolubilidade do vínculo Matrimonial. Mas, não se deve considerar essa indissolubilidade uma lei e sim um dom. Deus chamou os esposos ao amor, os chama a viver um amor que não morre, porque cresce cada vez mais e se renova. Isso significa que o amor matrimonial é chamado a superar as dificuldades presentes e futuras. Um amor mais forte que os problemas diários. Um amor que tem a própria força de Deus. E mesmo quando a indissolubilidade do matrimonio parece perder o sentido, nós encontramos seu sentido mais íntimo na participação no amor de Cristo crucificado.

Assim como Cristo não abandonou, mesmo na cruz, sua esposa, a saber, a humanidade, também todo cristão é convocado a viver dessa fidelidade. O matrimonio contraído no Senhor encontra força n’Ele para conservar a indissolúvel unidade e comunhão no amor conjugal. 

sábado, 15 de agosto de 2015

Homilia da Assunção de Nossa Senhora

Homilia da Assunção de Nossa Senhora
Assunção, festa da esperança
Esperamos conseguir do Senhor o que Maria, sinal glorioso da Igreja, já conseguiu. Esperamos estar completos, corpo e alma, com o Senhor. Ao contemplar a Mãe de Deus de maneira tão gloriosa no dia de hoje, os nossos corações se enchem de luz e de esperança. Deus cuida de nós e nos conduz cada vez mais à sua vida divina.
Os Padres da Igreja, especialmente a partir de S. João Damasceno e S. Germão de Constantinopla, pregavam abertamente a existência da incorruptibilidade do corpo de Nossa Senhora. A festa da Dormição de Nossa Senhora foi celebrada primeiramente em Jerusalém. Mas para os antigos, “dormição” não significava necessariamente ausência de morte. Defensor da Assunção de Nossa Senhora na Idade Média foi o assim chamado “Pseudo-Agostinho” (século IX). Baldo de Ubaldi, no século XV, também foi um grande defensor desta verdade de fé. Finalmente, o Papa Pio XII definiu solenemente o dogma da Assunção no dia 1 de novembro de 1950 através da Constituição “Munificentissimus Deus”. Inclusive o nome desta constituição deixa claro que se trata de uma graça de Deus “munificentissimus”, isto é, generosíssimo.  Uma graça tal que é um privilégio: Maria recebeu o privilégio de que nela fosse antecipado aquilo que acontecerá com todos os eleitos.
O Papa sentencia “que é dogma divinamente revelado: que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, ao término de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória do céu”. É interessante que antes do Papa definir o quarto dogma sobre Nossa Senhora, ele recorde os outros três: Mãe de Deus, sempre Virgem (antes, durante e depois do parto), Imaculada. Pio XII não diz se Maria, antes de ser elevada ao céu, morreu ou não: isso continua como tema aberto à livre discussão teológica, isto é, pode-se defender uma ou outra coisa. O que todos devem reter como doutrina de fé solenemente definida é que ela, Nossa Senhora, foi elevada em corpo e alma aos céus, antecipadamente, como privilégio.
Quanto à morte de Nossa Senhora, parece muito mais acertado afirmar que ela realmente morreu e somente depois teria sido elevada aos céus. Por um lado, quando os antigos Padres falavam de “dormição” eles falavam também de morte. De fato, não é difícil encontrar textos na patrística que transmitam uma dormição de Jesus na Cruz referindo-se à sua morte real. Por outro lado, o desejo de imitar a Cristo que estava no coração de Nossa Senhora faz com que seja mais conveniente que ela imite o seu filho também nisso e se una, desta maneira, ao valor redentor do seu mistério de cruz.
Mas, como dizíamos antes, a Assunção de Nossa Senhora é sinal de esperança para nós. O Concílio Vaticano II afirmou: “Entretanto, a Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor (cfr. 2 Ped. 3,10)” (Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, nº 68).
A esperança é virtude sobrenatural, teologal, uma disposição plantada pelo Senhor na nossa alma que nos une a ele através da vontade, do desejo. Esperamos em Deus e nos auxílios (graças) que ele nos concede para alcançá-lo. Temos a firme esperança de chegar ao céu, à bem-aventurança eterna. É nesse sentido que a Assunção de Maria nos anima a continuar com os olhares fixos na meta: uma como nós conseguiu aquilo que nós conseguiremos. O nosso caminho rumo ao céu já foi selado por uma da nossa raça. Assim como ela chegou lá por graça, também nós chegaremos.
A Festa de hoje não é somente da Virgem Maria. Primeiramente, ela glorifica o Cristo, Autor da nossa salvação, pois em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou. A liturgia hoje exclama: “Preservastes, ó Deus, da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, Autor de toda a vida”. Este senhorio de Cristo aparece hoje radiante na sua Mãe toda santa: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria! Em segundo lugar, a festa de hoje é também festa da Igreja, de quem Maria é Mãe e figura. A liturgia canta: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho”. Sim! A Mãe Igreja contempla a Mãe Maria e fica cheia de esperança, pois um dia, estará totalmente glorificada como ela, a Mãe de Jesus, já se encontra agora. Finalmente, a festa é de cada um de nós, pois já vemos em Nossa Senhora aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós: que sejamos totalmente glorificados na glória luminosa do Espírito do Filho morto e ressuscitado. Aquilo que a Virgem já possui plenamente, nós possuiremos também: logo após a morte, na nossa alma; no fim dos tempos, também no nosso corpo!
Estejamos atentos! A festa hodierna recorda o nosso destino, a nossa dignidade e a dignidade do nosso corpo. O mundo atual, por um lado exalta o corpo nas academias, no culto da forma física, da moda e da beleza exterior; por outro lado, entrega o corpo à sensualidade, à imoralidade, à droga, ao álcool… É comum escutarmos que o que importa é o “espírito”, que a matéria, o corpo passa… Os cristãos não aceitam isso! Nosso corpo é templo do Espírito Santo, nosso corpo ressuscitará, nosso corpo é dimensão indispensável do nosso eu. Um documento recente da Igreja sobre a relação homem-mulher, chamava-se atenção exatamente para essa questão: o corpo em si, para o mundo, parece que não significa muita coisa, que não tem uma linguagem própria, que não diz algo do que eu sou, da minha identidade – inclusive sexual. Para nós, cristãos, o corpo integra profundamente a personalidade de cada um: meu corpo será meu por toda eternidade; meu corpo é parte de minha identidade por todo o sempre! Honremos, então nosso corpo: “O corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós – em nosso corpo- pelo seu poder. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1Cor 6,14.20).
Então, caríssimos, olhemos para o céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera, um dia, triunfar totalmente como Maria Virgem, cantemos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor!” A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.


domingo, 12 de julho de 2015

Homilia do Pe. Fantico Borges – XV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Homilia do Pe. Fantico Borges – XV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Na missa deste domingo ouvimos Jesus chamar os seus discípulos e envia-los a todo os lugares e povoados. Envia-lhe a sua frente e dar recomendações que não levem muita coisa. Para ser um missionário de Jesus não precisamos de muitas coisas. Apena o essencial para a luta espiritual, ou seja, a fé e a fidelidade a Palavra de Deus. Ser discípulo de Jesus pressupõe coragem para anuncia-lo em todas as situações da vida, mesmo que isso custe sofrimento e insegurança. O profeta não anuncia a si, nem o que agrada aos homens, mas sim a verdade de Deus. Neste sentido, o profeta tem que ser livre e desimpedido.
Para construirmos um caminho de liberdade profética, é mister, entender que nossa vocação é um chamado do Senhor a sermos santos e irrepreensíveis. Nesta esteia é necessário recapitular a vida em Cristo, no qual fomos predestinados a sermos filhos de Deus. Quem é a fonte desta transformação pessoal : Jesus Cristo!  N’ele nosso vida toma sentido e nosso futuro está solidificado em terra boa.
Como primeiro chamado, somos convocados por Deus a sermos santos, daí que a vocação à santidade é a primeira exigência batismal. Todo batizado estar atraído por Jesus a ser santo. “Em Cristo, o Senhor nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor” (Ef 1,4). Todos os batizados podem aplicar a si próprios essas palavras de São Paulo, porque todo batizado é chamado a santidade. Graças ao Batismo e à Confirmação (Crisma), todos os fiéis cristãos são “uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade” (1 Pd 2,9), “destinados a oferecer vítimas que sejam agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (Vat. II, LG,10).
Por vontade divina, dentre os fiéis que possuem o sacerdócio comum, alguns são chamados- mediante o sacramento da Ordem- a exercer o sacerdócio ministerial. Este pressupõe o sacerdócio comum dos fiéis, mas distingue-se dele essencialmente: pela consagração recebida no sacramento da Ordem, o sacerdote converte-se em instrumento de Jesus Cristo, a quem empresta todo o seu ser, para levar a todos a graça da Redenção. É um homem escolhido entre os homens, constituído em favor dos homens no que se refere a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados (Hb 5,1). Qual é, pois, a identidade do sacerdote? “A de Cristo. Todos os cristãos podem e devem ser não já alter Christus, mas ipse Christus: outros Cristos, o próprio Cristo! Mas no sacerdote isto se dá imediatamente, de forma sacramental” (S. Josemaria Escrivá, Amar a Igreja, pág. 72). Assim o sacerdote é um canal da graça de Deus, como instrumento insuficiente para agir e realizar a profecia de Jesus Cristo.
O Senhor, presente de muitas maneiras entre nós, mostra-se muito próximo na figura do sacerdote. Cada sacerdote é um imenso dom de Deus ao mundo; é Cristo que passa fazendo o bem, curando doenças, dando paz e alegria às consciências; é o instrumento vivo de Cristo no mundo, empresta a Nosso Senhor a sua voz, as mãos, todo o seu ser. “Jesus – recordava São João Paulo II aos sacerdotes – identifica- nos de tal modo consigo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, já que é Ele quem atua por meio de nós.”
Na celebração da Missa, é Jesus Cristo quem muda a substância do pão e do vinho no seu Corpo e no seu Sangue. E “é o próprio Jesus quem, no sacramento da Penitência, pronuncia a palavra autorizada e paterna: Eu te absolvo dos teus pecados. E é Ele quem fala quando o sacerdote, exercendo o seu ministério em nome e no espírito da Igreja, anuncia a Palavra de Deus. É o próprio Cristo quem cuida dos doentes, das crianças e dos pecadores, quando o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados os envolvem” (São João Paulo II).
Um sacerdote é mais valioso para a humanidade que todos os bens materiais e humanos juntos. Daí a importância de rezarmos muito pela santidade dos sacerdotes, ajudá-los e ampará-los com a nossa oração e a nossa estima.

Deus toma posse daquele que chamou ao sacerdócio, consagra-o para o serviço dos outros homens, seus irmãos, e confere-lhe uma nova personalidade. E este homem, eleito e consagrado ao serviço de Deus e dos outros, não o é somente em algumas ocasiões determinadas, por exemplo, quando realiza uma função sagrada, mas sempre, em todos os momentos, tanto quando exerce o mais alto e sublime ofício como no ato mais vulgar e humilde da vida quotidiana. Qualquer coisa que faça, qualquer atitude que tome, quer queira, quer não, será sempre a ação e a atitude de um sacerdote, porque ele o é sempre, em todas as horas e até à raiz do seu ser, faça o que quiser e pense o que pensar.
O Sacerdote é um enviado de Deus ao mundo, para que lhe fale da sua salvação, e é constituído administrador dos tesouros de Deus: o Corpo e o Sangue de Cristo, bem como a graça de Deus por meio dos sacramentos, a palavra de Deus mediante a pregação, a catequese ,os conselhos da Confissão. Está confiada ao sacerdote a mais divina das obras divinas, que é a salvação das almas; foi constituído embaixador e medianeiro entre Deus e os homens.
Por isso temos que rezar muito mais para que a Igreja conte sempre com os sacerdotes necessários, com sacerdotes que lutem por ser santos. Temos que rezar e fomentar essas vocações, se é possível, entre os membros da própria família! Que imensa alegria para uma família se Deus a abençoa com este dom!


      

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