segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O que é central na noção de salvação cristã?

 Questões Teológicas:  

   O que é central na noção de salvação cristã? 
A noção de salvação do ser humano é o centro da noção de salvação cristã. O fundamental da existência da idéia de salvação são os homens e as mulheres que precisam ser salvos. O termo salvação aplica-se a salvar o ser humano, esse não pode eximir-lo ou abandonar ou ainda desconsiderar o contexto no qual o ser humano está inserido. Portanto a salvação diz respeito a tudo aquilo que é experiência do ser humano. Se o termo salvação for concebido num sentido mais amplo, então deve responder às inspirações e carências humanas, não satisfeitas pela razão e pelos esforços do próprio homem.  
Analisando a salvação cristã como salvação do ser humano, então na medida em que mudam as condições de vida, surgem novos desafios e transformam-se contextos socioculturais, pode e deve a Igreja acompanhar tais mudanças com pastorais, instituições e visões teológicas novas condizentes com o momento histórico.
As diversas expressões de salvação apresentam-se já presentes no Novo Testamento. Os discípulos utilizavam diversas expressões para exprimir o conteúdo da salvação cristã. Bem facilmente entendida essas expressões trazem em voga que a salvação cristã desde o começo foi sendo compreendida como algo unida a realidade vivencial de cada pessoa e comunidade de fé, por isso os diversos termos para exprimir o conteúdo da salvação cristã: santificação do ser humano, justificação, capacitados do alto, libertos da escravidão. Em Agostinho: sacrifício meritório; em Anselmo: satisfação de nossas culpas só encontra resposta em Cristo; St. Tomás: satisfação, mas vista como fundamento do amor de Deus à humanidade; Lutero: a justiça punitiva de Deus.  Mas uma coisa estava por trás de todas essas expressões: a realidade da experiência de ser salva. A salvação é uma experiência que acontece na história de cada pessoa e que encontra seu acento objetivo no sujeito eclesial. Há diversas expressões porque diversas são as experiências humanas. Nenhuma experiência pode por antonomásia esgotar o conteúdo da salvação e a realidade salvífica. Assim nasce idéia de um núcleo comum nas diversas experiências de salvação. Esse núcleo denomina-se autêntica experiência de salvação.  
A experiência humana é sempre uma experiência interpretada. Na experiência a percepção e o pensamento se encontram mutuamente. A experiência neste sentido é interpretada e vivida ao mesmo tempo. Mas então ela é somente subjetiva? Não. Existe uma autonomia da realidade que ultrapassa a experiência subjetiva. A realidade possui uma objetividade e uma subjetividade, pois cada experiência não esgota a realidade, mas revela parte dela. Assim dependendo da qualidade da experiência se pode chegar a uma conclusão diferente, porém que não exclui outras experiências e conclusões da tendo a mesma realidade como paradigma. Mas existe uma realidade autônoma que não depende nem da experiência, nem do quadro interpretativo: a realidade de Jesus Cristo como salvação. Essa realidade é fundamental, permanente e comum a toda experiência de salvação cristã. As diversas expressões não vazia e nem criam uma poção de salvações porque estão enraizadas na realidade fundamental de Cristo como salvador e portador absoluto da Salvação. Daí que conservando essa centro real e intransponível a experiência de salvação que acontecem na humanidade e, portanto, na história podem exprimir-se diversamente sem perder a unidade da fé da comunidade em Cristo.   

2.      Como sair do dilema: a salvações não-cristãs se são autênticas relativizam a salvação cristã, ou se não são autênticas então não passam de mentiras ou quimera!
A solução do dilema não pode ser resolvida sem primeiramente empreendermos uma verdadeira transmutação das questões até então elencadas para construir uma equilibrada saída. Primeiro é preciso deixar claro que a salvação cristã não só acontece por meio de Deus, mas acontece em Deus. Deus mesmo é a salvação do ser humano. A realização do ser humano não somente através de Deus e sim é Deus mesmo a sua felicidade. Deus é assim realidade final da salvação cristã, e não apenas como sua causa instrumental.
Essa salvação, todavia não é algo futurista e para o pós-morte. Ela é essa autocomunicação de Deus na vida e na história que atinge o ser humano em todas as suas dimensões e abri-o ao escaton numa unidade entre o Reino celeste e a construção dos meios aqui e agora.  
Ora, se já falamos que a salvação cristã está ligada a realidade do ser humano, se esta salvação é vontade universal de Deus para todos os homens e mulheres então a realidade da salvação deverá atingir a todas as experiências de salvação. Ora, a salvação é vivida na história e a história é limitada pelo contexto como afirmar que a salvação cristã é a única verdadeira se ela não abarca a totalidade das experiências humanas?
Então, se é assim existe algo comum entre nossa salvação e a salvação dos não-cristãos que contribui para cumprir a vontade salvífica de Deus? Mas isso não relativiza nossa pretensão de universalidade e totalidade da salvação?  Há segundo Pe. França Miranda um ethos comum a cada religião e com ele uma cosmovisão. Cada religião busca exprimir sua salvação baseando na realidade, vivência e contexto específico, portanto a partir de sua cosmovisão.
A base comum neste contexto é a salvação do ser humano e esse na sua multiforme realidade de experiência. Assim, a avaliação e análise da experiência de salvação devem levar em conta a contextualização de cada experiência. Desta forma não podemos negar que há elementos de salvação fora do cristianismo e que as salvação não-cristãs possuem caminhos de salvação. Mas ao mesmo tempo não podemos aceitar que diversidade de expressões e experiência nos leva a aceitar a irreal idéia de uma multiplicidade de salvações. A salvação é única porque Deus é o conteúdo mesmo da salvação, Deus é a meta e o fim da salvação do ser humano. As religiões e as instituições não podem esgotar toda a realidade de Deus. Nem o cristianismo, nem o judaísmo, nem islamismo ou o budismo, ou ainda o hinduísmo ou as religiões africanas entre tantas podem reter a totalidade de Deus. Uma coisa é reter o fenômeno (phainomenon) que o que o ser humano e a religião têm acesso outro coisa é Deus mesmo enquanto tal (noumenon).  

3.      Como pode um único Deus (Espírito) provocar experiências salvíficas plurais diversas? 
Não podemos confundir o fim com os meios nem a ação salvífica com os meios históricos de expressão desta única salvação. Aqui entra o papel do Espírito na raiz da salvação como aquele que possibilita falar de salvação universal ou de vontade salvífica universal para toda a humanidade. A ação do Espírito tem como lugar privilegiado a própria Igreja, por isso Santo Ireneu afirmava “onde está o Espírito do Senhor aí está a Igreja, e onde está a Igreja aí está o Espírito do Senhor, e toda a graça” (Adv. Haer. III, 24,1).
Mas o Espírito é derramado sobre toda a humanidade, pois como diz a Escritura, Ele sopra onde quer, precedendo com sua atividade a proclamação explícita da mensagem cristã. Neste sentido, queremos dizer que o Espírito do Senhor é livre e age onde que independentemente da presença histórica das instituições ou não. Em outras palavras, Ele age fora dos muros confessionais cristão, e o conceito de Igreja de Santo Ireneu aqui é alargado e abre muito mais que as expressões históricas que encontramos dentro dos contextos cristãos. Um é o mesmo Espírito que faz aparecer os diversos dons e talentos. O corpo possui um único Espírito que o conduz. Desta forma a ação do Espírito não se limita ao interior do cristianismo.  A atividade universal do Espírito é levar Jesus Cristo, vida e verdade, aos seres humanos. 
Como a encarnação implica não somente a salvação do homem, mas também a restauração do cosmos e de tudo que existe, então a salvação desencadeia um processo histórico que culmina na atual realidade e destina-se ao criar relação de comunhão entre Deus e a criação. Ora, sendo assim a ação do Espírito do Senhor é acolhido e experimentado na história e portanto  diversamente, pois como vimos cada etapa da história trás novos desafios existenciais aos quais a salvação de Deus tem que ser sinal visível na vida e no contexto de cada povo em cada época.
Todavia, não podemos esquecer que a salvação em plenitude só pode ser Deus. Neste sentido todo anseio de salvação plena se dirige a Deus, quer o aceitemos ou não, quer o chamemos por este nome ou aquele, já que é uma realidade transcendente. A Palavra de Deus está aqui para ser transcendente, que pode receber denominações diversas nas religiões, mas nunca ser substituído por qualquer outra realidade. A verdade é que Deus ultrapassa toda e qualquer estrutura e nada pode esgotar sua realidade. Da mesma forma que todas as realidades e estruturas podem dizer coisas sobre Deus e apresentar aspectos de Deus a partir de seu ethos e sua cosmovisão, porém não podem dizer possuir Deus totalmente nos seus muros e esquemas: Deus é mais. Qual, pois, o critério para não cairmos no subjetivismo de uma fé ilusória e intimista? A comunidade de fé. O sujeito por excelência da fé é a comunidade, por isso a importância do sensus fidellius. 

O critério do cristianismo é o amor (agape), o dom do Espírito e fora dele é a promoção do bem. Nestes critérios Deus age como ação do Espírito que faz surgir diversas expressões da mesma realidade que é Deus. Daí que cada experiência e expressão salvífica do passado são verdadeiras, mas não exaustivas, porque toda experiência é contextualizada e limitada, e Deus transcende a tudo isso.   

COMO SE RELACIONAM FÉ E GLOBALIZAÇÃO

COMO SE RELACIONAM FÉ E GLOBALIZAÇÃO

Como se relacionam elementos teológicos da Igreja e configurações institucionais? 
É inseparável os elementos teológicos e a realidade cultural na qual a Igreja , como comunidade humana na fé cristã está inserida. Para existir uma fé verdadeiramente compreensível e autêntica faz-se necessário não abdicar da intrínseca relação entre essa duas realidades. Deste modo,  a fidelidade da Igreja a seu contexto sociocultural é imperativo que decorre de sua própria realidade como sacramento da salvação de Jesus Cristo. Neste sentido, o institucional está a serviço do salvífico que é seu fim. Os elementos teológicos e as configurações institucionais encontram um ponto comum na finalidade da Igreja que é ser sacramento visível da salvação de todos em Cristo. Para que ela atinja esse fim as instituições são alteradas de acordo com o tempo e circunstâncias humanas. E são os elementos teológicos que garantirão a identidade da comunidade na diversidade de configurações que ao longo do tempo ela terá para efetivar sua missão.
Tudo que foi dito acima acontece porque a  fé como resposta à ação de Deus, acolhimento do ser humano a autocomunicação de Deus é sempre uma fé inculturada. Sem a fé os efeitos salvíficos perdem seu objetivo, tornando-se palavra muda. Desta forma, só existe revelação enquanto acolhimento na fé. Mas quem acolhe esta salvação de Deus é sempre um sujeito situado e imerso numa cultura concreta. Daí que toda revelação é já ação inculturada e nenhuma fé existe como “fé pura”, mas sim como vivida e entendida num processo inculturada. Assim se pode afirmar que fé inculturada seria na verdade o processo de acolhimento da revelação vivida concretamente em cada cultura, no seu  tempo e lugar. A fides quae (sentido objetivo da fé), na acepção do termo aqui empregado, seria a mediação real onde tal revelação efetiva-se e não a própria ação de Deus.  Desta forma pode-se falar de interculturação da fé ao invés de inculturação da fé.
Portanto a relação entre os elementos teológicos da Igreja e a configuração das institucionais apresenta-se no acolhimento-resposta que o ser humano faz na fé dentro de uma cultura no encontro com outras culturas. Por isso falamos não de inculturação da fé, mas interculturação da fé, como processo de identidade e diferença aberto às culturas e não sobrepõe às outras.
Como acontece uma crise institucional na Igreja?
Enquanto comunidade humana que responde na fé à ação salvífica de Deus, a Igreja está sujeita a leis e estruturas presentes nas culturas humanas, por isso pode sofrer, como sofreu, crises institucionais. Do ponto de vista institucional uma crise da comunidade eclesial acontece sempre que experiências, compreensões, avaliações e compromissos comuns dos membros não se encontrarem mais devidamente harmoniosos nas instituições concretas. Neste sentido, a crise dar-se-á pela incapacidade da comunidade eclesial apresentar-se a todos com linguagem fora do tempo e dos espaços dos atores culturais concretos. As representações metais, as estruturas de pensamentos e as categorias sociais, são elementos do seu contexto sociocultural que interagem na atualização e efetivação no interior da dimensão subjetiva da Igreja. Mas não são eles os elementos teológicos da Eclésia. Todavia não pode ser esquecê-los e abdicá-los, sem cair no perigo de esvaziar a mensagem. Assim a crise institucional acontece quando se separa o teológico das configurações institucionais. Quando os elementos teológicos não mais se encontram interligados com as configurações institucionais nasce a crise porque se divorcia a mensagem da cultura. O cultural é marginalizado e a fé deixa de ser uma resposta à ação de Deus para ser uma adesão alienante.
Como entender a catolicidade da Igreja hoje?  
            A catolicidade é a união das Igrejas. Não é a soma delas, mas sim a mútua recepção e comunhão das igrejas locais. A catolicidade  é a imagem da Igreja universal que resulta da mútua inclusão, onde a comunhão das Igrejas Locais é a visibilidade da Igreja Universal. Assim não se pode conceber uma a Igreja Local sem a Igreja Universal, nem esta última é realidade sem aquela. Desta forma a catolicidade não é a uniformidade das Igrejas, muito menos a submissão das Igrejas Locais a uma Igreja Local de Roma. Catolicidade é uma relação dinâmica de inclusão que compreende as condições concretas de vida de cada Igreja Local em suas novas e autênticas configurações para prosseguir a sua missão salvífica.

            Catolicidade para ser realmente universalidade não pode esquivar-se das comunidades, das culturas, das diferenças contextuais e lingüísticas. Portanto catolicidade, hoje, é uma tarefa de complementaridade, que não pode admitir-se como oposição entre o local e global. A catolicidade não significa Igrejas meramente semelhantes ou uniformes em territórios diferentes, mas sim Igrejas peculiares pelo modo próprio como seus membros acolhem e vivem a Palavra de Deus.  Desta forma a diversidade não rompe a unidade, mas a enriquece, pois a universalidade só existe na e a partir da Igreja Local.  Catolicidade então será a tarefa dinâmica no seio das Igrejas Locais com a Igreja Universal, em comunhão das diferenças salvaguardada pelo ministério petrino, que antes de ser um super bispo é aquele que promove o diálogo e a interação, cuida que as diversas configurações possam ser acolhidas pelas demais Igrejas e intervém quando a comunhão é ameaçada.    

A relevância do VII capítulo da Lumen Gentium.

A relevância do VII capítulo da Lumen Gentium.


1.1 O itinerário da inclusão da Escatologia na Lumen gentium

O debate concilar sobre o VII capítulo deu-se no dia 11 de julho de 1964.
Ainda na segunda seção conciliar o tema da escatologia não havia entrado em pauta. O esquema da Lumen gentium até aquela seção conciliar constava de 81 páginas e onze capítulos, os quais nada falavam sobre a índole escatológica da Igreja. O primeiro esquema constava destes capítulos: De Ecclesiaemilitantis natura; De membrisEcclesiaemilitatiseiusdemquenecessitate ad salutem; De episcopatu ut supremo gradusacramentiOrdiniset de sacerdotio; De episcopisresidentialibus, De statibusevangelicaeacquirendaeperfectionis; De laicis; De Ecclesiaemagisterio; De auctoritate et oboedientia in Ecclesiam; De relationibusinterEcclesiae et Statum; De necessitateEcclesiaeannuntiandiEvangeliumomnibusgentibus et ubiqueterrarum; De oecumenismo[1]. Em todos eles não se encontram referencias explícitas sobre a escatologia da Igreja.
Esse primeiro esquema foi louvado por alguns e violentamente criticado por outros: “apresentava, diziam, uma Igreja excessivamente jurídica, institucional, externa, clerical e triunfalista, sem acentuar bastante o mistério da vida divina, do dinamismo sobrenatural e da união com Cristo”[2]. O texto foi acusado de ser bastante bíblico, cristocêntrico, pastoral, maternal, pouco missionário, e nada aberto às outras formas de vida e cultura. Também se dizia que era um texto pouco ecumênico e que não estava adaptado com a mentalidade moderna. Em resumo faltava o espírito da caridade cristã.[3]
Um novo esquema foi redigido entre a segunda e a terceira seção, no chamado período internacional. A modificação ocorreu na divisão e ordem dos capítulos. Assim os onze capítulos do esquema anterior deram lugar a oito, que se apresentam assim: 1. O mistério da Igreja; 2. O povo de Deus; 3. A constituição hierárquica da igreja; 4. Os leigos; 5. A vocação universal à santidade na Igreja; 6. Os religiosos; 7. A índole escatológica de nossa vocação e nossa íntima união com a Igreja celeste; 8. A Bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. Este último esquema agradou a maioria, pois abrangia uma reflexão profunda sobre toda realidade da Igreja em suas estruturas internas. 
Mas o que levou, então, os padres conciliares a tomar uma posição diferente daquela contida na primeira estrutura da Lumen gentium? Há teólogos comentadores do Concílio (Candido Pozo, Boaventura Kloppenburg, entre outros), que defendem a introdução deste novo esquema a uma vontade expressa do Papa João XXIII, que foi bem defendida por seu sucessor, de que a Igreja deveria abrir-se ao mundo.
Já a inclusão do VII capítulo, foi um pedido expresso de João XXIII, que confiara ao Cardeal Larraona[4], auxiliado por uma comissão especial, o encargo de elaborar umtexto em que apontasse uma íntima relação entre a Igreja peregrina e o culto dos santos, como também a oração aos fiéis defuntos.
A morte de João XIII em 1962, não pôs fim a esse ideal. O Papa Paulo VI, que foi uma figura singular no desenvolvimento do Concílio, não excitou em aprovar prontamente a decisão, de seu predecessor e, por conseguinte, o texto da comissão.  Aasim durante a seção plenária de março de 1964 foi instituída uma subcomissão encarregada de rever o texto e enquadrá-lo no contexto e estilo da De Ecclesia.
O texto da subcomissão foi apresentado com quatro parágrafos para ser discutido na terceira seção do Concílio em 1964. O primeiro apresentava a índole escatológica da nossa vocação na Igreja: nele se exprimia a tendência da nossa vocação escatógica que começa aqui e culmina no céu. Já o segundo expressava a comunhão entre a Igreja celeste e a Igreja peregrinante: nele o texto salientava que a nossa morte não rompe a unidade entre as realidades eclesiais (Igreja peregrina e a Igreja celeste). O terceiro traz a relação da Igreja peregrina em união com os Santos: neste ponto a reflexão valoriza muito a intercessão poderosa dos santos e a oração pelos mortos. O quarto e último falava de algumas disposições pastorais: neste contexto o esquema aponta alguns perigos e exageros que seguem o culto aos santos.
O mencionado texto apresentado pela comissão para discussão na aula conciliarproduziu muito debate. O cardeal Ernesto Ruffini, Arceb. de Palermo, na Itália classificou o texto de piedosíssimo no tocante a exposição da doutrina sobre os novíssimos e disse que nele se omite, quase completamente, uma posição sobre o inferno[5].
O cardeal IgneceZiade, Acerb. Maronita de Beirut, no Líbano, faz uma intervenção valiosa ao colocar a necessidade de uma maior presença pneumatológica na Lumen gentium. Ele alega que não é possível falar de índole escatológica da nossa vocação sem referência a missão do Espírito Santo. Elesalientou que para os Orientais um capítulo de escatologia sem uma clara missão do Espírito é igual a uma liturgia sem epíclese ou anáforas, na qual se apresentaria a missão do Filho, tocaria um pouco no papel do Pai, mas  nada se falaria do Espírito Santo. Esse capítulo sem um autêntico aceno ao papel Espírito não poderia ser aceito pelas Igrejas Orientais[6].
Também é salutar a intervenção do bispo alfredAncel, auxiliar de Lião, na França, ao salientar que a índole escatológica de nossa vocação deve manifestar-se na nossa vida cotidiana, em todas as nossas obras, principalmente de duas maneiras: por meio das virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que nos impinge a agir, buscando os valores eternos; depois por meio da consciência de que a índole escatológica de nossa existência faz-nos trabalhar sem nos tornarmos escravos das estruturas e ocupações.    
Após o fim de todos os debates e mais de 17 intervenções encerraram-se as reflexões acerca do VII capítulo da Lumen gentium que foi aprovado por quase todos os 2.204 padres conciliares presentes na octogésima primeira congregação geral do Concílio em 16 de setembro de 1964. 

1.2 POR QUE UM CAPÍTULO DE ESCATOLOGIA NA CONSTITUIÇÃO SOBRE A IGREJA.


Como ponto de partida, queremos salientar, no início desta pesquisa, a importância que teve a inclusão do tema sobre a escatologia para toda a Constituição Dogmática Lumen gentium. Não é nosso interesse tratar aqui da penetração do VII capítulo em toda Constituição, mas poderia deixar de registrar a relevância que teve a escatologia em todo o documento sobre a Igreja.  A escatologia, como veremos ao longo deste trabalho, não é apêndice ou uma reflexão justaposta dentro do horizonte conciliar, ela representa parte de um projeto maior que tem como finalidade unir, numa mesma reflexão, a Igreja como mistério e sacramento da Salvação com a realidade concreta da vida dos fiéis. A finalidade é demonstrar que a Igreja visível nas suas estruturas é sinal e instrumento que apontam à vida nova da comunidade cristã.
É importante salientar, neste itinerário histórico, que o VII Capítulo, sobre a índole escatológica da Igreja, não estava presente no primeiro esquema da De Ecclesia, apresentado pela comissão preparatória. A inclusão foi fruto de um amadurecimento do horizonte teológico conciliar. O teólogo RiundorIgnacio, assim como Boaventura Kloppenburg defendem a tese de que ainclusão do capítulo escatolágico, na Carta Magna De Ecclesia condiz com avontade do Papa João XXIII, que desejava que na reflexão sobre a Igreja se fizesse referências a temas como: o Culto dos Santos e a comunhão da Igreja peregrina com a Igreja celeste[7].
Assim a inserção do caráter escatológico da Igreja aponta parauma tomada de consciência dos Bispos em perceberem na natureza e na missão da Igreja uma tensão escatológica. Tal índole escatológica projeta a Igreja na história humana como instrumento de salvação; como sinal sacramental e visível da presença da graça na história atual. Por causa disso os bispos decidiram criar um capítulo inteiro sobre escatologia e colocá-lo dentro do esquema De Ecclesia.
Todavia, não foi fácil essa inclusão. A primeira discussão acerca do VII capítulo se deu em meio a esclarecimentos e propostas dos bispos presentes, na III seção ordinária de 1964,  onde se discutiu, entre outros, os detalhes sobre a conclusão da De Ecclesia. Para entendermos melhor isso, cabe-nos voltar um pouco para recordar a valiosa contribuição do Cardeal Suenens[8] na Congregação geral n°33 de 4 de dezembro de 1962. Seu pronunciamento marcou muito o itinerário do Concílio.Ele buscava organizar um plano harmônico (RatioipsiusConcilii) para todo o Concílio. Seu projeto consistia em apresentar a Igreja como luz das nações (ecclesiaLumen gentium), dividindo o tema sobre a Igreja em dupla vertente: como Igreja ad intrae como Igreja ad extra[9].
Segundo o esquema do Cardeal Suenens, a Igreja,ad intra, abordaria temas como: a natureza da Igreja, seuofício ou missão. A Igreja,ad extra, seria explicada em tríplece diálogo: com os fiéis, com irmãos separados e com o mundo moderno.  Essa proposta agradou muito a todos os bispos, chegando a influenciar diretamente a formulação das duas principais constituições: aLumen gentium e a GaudiumetSpes[10].
No esquema do Cardeal, que agradou muito aos Padres, a escatologia ainda não sefazia presente, mas, como veremos mais adiante, já aparecem elementos que tornam necessária uma abordagem escatológica na Lumen gentium, como  parte essencial da Constituição.
A própria localização do VII capítulo entre a vocação universal a santidade, a vida religiosa e a santíssima Virgem Maria, demonstram a centralidade da escatologia em todo o esquema da Constituição.
A proposito da importância do VII capítulo na estrutura da Lumen Gentium é relevante lembrar a contribuição do Cardeal Giovanni Urbani, patriarca de Veneza, na Itália, que afirma satisfação para com o texto apresentado, sobretudo por perceber nele um caráter eminentemente cristológico e eclesiológico, tão relevante à estruturação de todo o horizonte conciliar[11].
Desta forma fica evidente que com a incisão do tema escatológico na Lumengentiumos padres conciliares propõem uma visão escatológicaaberta ao mistério, unida a um contexto sacramental, sem distanciá-la e isolá-la do mundo real, como acontecia anteriormente nos tratados de escatologia. A escatologia dentro da eclesiologia não somente revitalizou a Igreja como faz justiça à sua missão e natureza escatológica. A escatologia unida à eclesiologia torna mais consciente a íntima união que se processa pelo batismo em cada fiel com Cristo.

1.3 A escatologia do VII capítulo: superação do esquema juridicista e apologética da Igreja.

Desde início do Concílio muitos temiam que ele se tornasse uma espécie de “Sínodo Romano”. Que valorizasse os velhos esquemas apologéticos pós-trento: ou seja, de defesa da fé e aplicação de anátema. Como podemos confirmar nos relatos de Boabentura Kloppenburg, o primeiro esquema apresentado da Lumen gentium, privilegiava tal posição[12]. Algum, como o bispo de Borogan, nas Filipinas, Vicente Reyes, defendia a ideia da Igreja triunfante e eram defensores do esquema juridicista da Igreja. 
Todavia, a maioria dos bispos tinha consciência de que os anátemas de Trento já não respondiam as inquietações da modernidade. Não adiantava falar em tom puramente apologético e autoritário. A mentalidadesociocultural exigia uma nova postura eclesial. Graças a Deus a mentalidade foi pouca a pouco clarificando e abrindo-se para aquilo que haveria de ser o Concílio Vaticano II: uma experiência de abertura a ação do Espirito Santo em unidade com a fé da Igreja, em diálogo com o mundo moderno.
Um fator muito positivo do Concílio foi o legado de ter superado uma mentalidade que se poderia chamar de antirreformista, identificada com a Igrejahierárquica, onde os leigos eram visto apenas como súditos obedientes. Isso pode ser constatado no item a seguir, onde exporemos os dois esquemas De Ecclesia, o primeiro com seus onze capítulos enquadra-se muito bem neste esquema de Igreja hierarquicamente perfeita e o final que foi aprovado na terceira seção, que se alinha com o pensamento de abertura e renovação muito presente, na maioria dos bispos.
A superação do esquema juridicista e apologético da Igreja devem-se muito ao desejo explícito de João XXIII, que sonhava em trazer a comunidade cristã para dentro dos problemas do mundo moderno, a fim de que a mensagem cristã encontrasse eco no coração humano. Neste sentido o esquema final trouxe mobilidade e novidade para toda reflexão eclesial. E a inclusão do VII capítulo responde a uma exigência de abertura e profundidade da reflexão eclesial num contexto nova: a escatologia presente no corpo da Lumen gentium, marca uma nova mentalidade da discussão teológica dentro do Concílio, posteriormente em todas as camadas teológica, visto que agora a Igreja é apresentada num contexto esperança que se lança para o fim, sem desvincular-se do real. Nisto se afirma o já e o ainda não da nossa vocação.     




[1]KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. II Primeira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, p.234
[2]KLOPPENBURG, Frei Boaventura, op. Citp.p24
[3] Ibidem.
[4]Cf. Congregatio Generalis, 80, Schema Constitutionis de Ecclesia C7, relatio Gerenalis: ActsynConcVatSec Vol III, periodus tertio, pars I, p. 351; cf. POZO, Candido. Teologia del mas Allá, (Biblioteca de autores cristianos), Madrid Ed. Catolica, 1968, p. 544-545
[5] Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. IV Terceira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, pp. 11-14.
[6] Ibidem
[7] Cf. RiudorIgnacio, S.I. IN Vaticano II: Documentos, enciclopédia conciliar, historia douctrina, Editorial Regina, 1971, 108-113; Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. IV Terceira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, pp. 11-14.

[8] Cardeal Suenens é teólogo e Arcebispo de Malanes,na Belgica, defenso, como outros bispos, de uma Igreja mais aberta, sem, no entanto, perder asua razão última. A defesa de seu esquema da Igreja ad intra e ad extratruxe muita contribuição ao longo do Concílio. O chamado esquema treze, ou seja, a Gaudiumetspes é uma resposta a isso. Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. IV Terceira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, pp. 11-17; PHILIPS, Mons., A Igreja e seu mistério no Concílio Vaticano II, Tomo I, Herder, São Paulo, 1968, pp. 50-70
[9] Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. IV Terceira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, pp. 11-17
[10] Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. IIPrimeira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, p.243
[11]Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. IV Terceira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, p. 15
[12] Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, Concílio Vaticano II, Vol. IIPrimeira sessão conciliar, Vozes, Petrópolis, 1972, p.243

[13] Cf. KLOPPENBURG, Frei Boaventura, OFM, A Natureza e Missão da Igreja, In REB, Vol XXIX, Fasc. 4, Vozes, Petrópolis, 1969, pp. 801-802
[14] KÜNG, H., La Eglesia, Herder, Barcelona, 1968, p. 101
[15]Cf. SCHOONENBERG, P. Creio na Vida Eterna, in CONCILIUM: Revista Internacional de Teologia, n° 1 Dogma, jan./1969, pp. 86-94
[16] Cf. MEDARD, K.,A Igreja: Uma Eclesiologia Católica, Loyola, São Paulo, 1997, p.86
[17] Cf. KÜNG, H., La Eglesia, Herder, op. Cit 108-110


Homilia do VI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Homilia do VI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Jesus Cristo médico da Alma

O Evangelho (Mc 1, 40-45) narra a cena de um leproso que, ao encontrar-se com Jesus, ficou curado.
A Lei de Moisés prescrevia o seguinte: “O leproso deve ficar isolado e morar fora do acampamento” (Lv 13, 46). Um preceito duro que só se explica pela preocupação de evitar o contágio e pela idéia corrente entre os hebreus de que era um castigo de Deus aos pecadores. Conseqüentemente, o leproso era um foragido da comunidade e tido como “impuro”, ferido e amaldiçoado por Deus.
É impressionante a cena: um leproso, contrariando a Lei, aproxima-se de Jesus… e de joelhos implora: “Se queres, tens o pode de curar-me…”
Jesus “se compadece”, estende a mão e toca-o… e restitui-lhe a saúde: “Eu quero, fica curado…”.
Que fé maravilhosa! Aquele homem de Deus, abandonado pelos homens e tido como rejeitado por Deus, tem mais fé do que muitos seguidores de Cristo. A fé autêntica não se perde em raciocínios sutis; tem uma lógica muito simples: Deus pode fazer tudo; basta, pois, que o queira fazer. Ao pedido, que manifesta uma confiança ilimitada, Jesus responde com um gesto inaudito para um povo, a quem fora proibido qualquer contato com os leprosos: “estendeu a mão, tocou-o”. Deus é o Senhor da Lei e, por isso, pode infringi-la.
A cena do leproso que vai ao encontro de Jesus é tão marcante que a encontramos narrada em três Evangelistas que contam o episódio e transmitem-nos o gesto surpreendente do Senhor: “Estendeu a mão e o tocou”. Até àquele momento, todos os homens haviam fugido dele com medo e repugnância. Cristo, porém, que podia tê-lo curado à distância – como já o fizera em outras ocasiões -, não só não se afasta dele, como chega a tocar a sua lepra. Não é difícil imaginar a ternura de Cristo e a gratidão do doente quando viu o gesto do Senhor e ouviu as suas palavras: “Quero, sê limpo.”
Ensina-nos Santo Agostinho a confiar em Deus: "acaso não te curará aquele que te criou em tal condição que nunca terias adoecido se quisesses cumprir suas ordens? acaso não te curaria aquele que criou os anjos e que, depois de refazer-te, te igualasse a eles? Aquele que criou os céus e a terra não curaria aquele q  ue fez a sua imagem e semelhança? Ele te curará; só falta que te deixes curar. Não procures remédios fãs quando tens o verdadeiro remédio: Cristo. buscar a saúde e tê-Lo sempre aos olhos e buscá-Lo de todo coração. Oh Alma Cristã, levanta-te e olha o que vales, se reconcilia com teu Redentor.    
O Senhor sempre deseja curar-nos das nossas fraquezas e dos nossos pecados. E não temos necessidade de esperar meses nem mesmo dias para que passe perto da nossa cidade… No Sacrário mais próximo, na intimidade da alma em graça, no Sacramento da Penitência (Confissão), encontramos o mesmo Jesus de Nazaré que curou o leproso. Ele “é Médico, e cura o nosso egoísmo se deixarmos que a sua graça nos penetre até o fundo da alma. Jesus advertiu-nos que a pior doença é a hipocrisia, o orgulho que leva a dissimular os pecados próprios. Com o Médico, é imprescindível que tenhamos uma sinceridade absoluta, que lhe expliquemos toda a verdade e digamos: Senhor, se quiseres, – e Tu queres sempre -, podes curar-me. Tu conheces a minha debilidade; sinto estes sintomas e experimento estas outras fraquezas. E descobrimos com simplicidade as chagas; e o pus, se houver pus; todas as misérias da nossa vida” (São Josemaría Escrivá, É Cristo que Passa, nº 93).
Os Santos Padres viram na lepra a imagem do pecado. Porém, o pecado é incomparavelmente pior do que a lepra. Dizia o Cura d’Ars: “Se tivéssemos fé e víssemos uma alma em estado de pecado mortal, morreríamos de terror”. No entanto, uma realidade não podemos esquecer: Jesus é o único que nos pode curar. Só Ele!
O que Ele nos diz é que veio perdoar, redimir, veio livrar-nos dessa lepra da alma que é o pecado. E proclama o seu perdão como um sinal de onipotência, como sinal de um poder que só o próprio Deus pode exercer. Cada uma das nossas confissões é expressão do poder e da misericórdia de Deus. É o próprio Jesus quem, no Sacramento da Penitência, pronuncia a palavra autorizada e paterna: “Os teus pecados te são perdoados”.
Temos que aprender do leproso: Com toda a sua sinceridade, coloca-se diante do Senhor e, de joelhos, reconhece a sua doença e pede para ser curado.
Esta deve ser a nossa atitude no que diz respeito ao Sacramento da Confissão. Pois nela também nós ficamos livres das nossas enfermidades, por maiores que possam ser. E não só ficamos limpos do pecado, como adquirimos uma nova juventude, uma renovação da vida de Cristo em nós. Ficamos unidos ao Senhor de uma maneira diferente e particular!
O Caminho do leproso deve ser o caminho de todo discípulo: Vir a Jesus, aceitar a própria limitação humana; experimentar a misericórdia e o poder libertador do Senhor; e finalmente tonar-se testemunha das grandes obras de Deus.

Pe. Fantico Nonato Silva Borges, CM



OS MANDAMENTOS DA IGREJA CATÓLICA

OS MANDAMENTOS DA IGREJA CATÓLICA
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"Que alegria quando me disseram: vamos à Casa do Senhor! Por amor da Casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade!" (Salmos 121, 1.9)
1.     Os Mandamentos da Igreja são cinco (5) "Preceitos" ordenados pela Igreja Católica criada por Jesus Cristo, que tem como objetivo, instruir e admoestar os fiéis cristãos sobre os seus deveres para com a Igreja, relacionados ao plano espiritual e material (Missa, Confissão, Comunhão, Jejum e Dízimos).
2.     O termo "Igreja" pode ser entendido no sentido de "assembléia dos fiéis"; como o Corpo Místico de Cristo, onde Cristo é a Cabeça do Corpo; e ainda, como o Templo do Espírito Santo; é também a casa de Deus erguida em honra a Deus, onde os Pastores (Bispos, Sacerdotes/Padres) e Fiéis cristãos se reúnem em assembléia e em comunidade para prestar culto a Deus, adorá-Lo, louvá-Lo e glorificá-Lo; fazer suas orações e preces; assim como, para fazer suas ofertas e oferendas a Deus.
3.     A Casa do Senhor é a "morada de Deus" aqui na terra, do Deus-Conosco - o Emanuel, pois Ele se encontra presente no Tabernáculo (Sacrário) dia e noite em Corpo, Sangue, Alma e Divindade oferecendo-Se como fonte de vida divina e de salvação para toda a humanidade.
4.     A Igreja Católica Apostólica Romana é assim intitulada porque:
o    IGREJA - é o Povo de Deus, que é o Corpo Místico de Cristo, sendo Cristo a Cabeça do Corpo.
o    CATÓLICA - sua área de atuação é universal, seguindo a mesma Doutrina de Jesus Cristo, Princípios e Normas em todo o mundo.
o    APOSTÓLICA - foi fundada e organizada na "tradição e ensino" dos Apóstolos seguidores de Cristo.
o    ROMANA - sua Sede é em Roma (Itália), onde São Pedro foi martirizado e sepultado, ao qual, Jesus outorgou as "Chaves dos Céus", ou seja, o Poder e a Autoridade de Cristo. "Disse Jesus: 'Tu és Pedro (pedra), e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus'" (Mateus 16,18-19).
5.     A Igreja de Jesus Cristo teve sua origem e início de atuação no mundo com a "Vinda do Espírito Santo" no dia de Pentecostes no Cenáculo de Jerusalém, estando presentes reunidos em oração, os Apóstolos, Maria - Mãe de Jesus e da Igreja - e os Discípulos de Jesus. Nessa ocasião, o Espírito Santo se manifesta através de "labaredas de fogo" sobre a cabeça de cada um deles, transmitindo-lhes a força propulsora para saírem em ação por todo o mundo testemunhando e anunciando Jesus Cristo a todas as nações, povos, culturas e indivíduos, na "linguagem própria" do Espírito Santo. (Atos dos Apóstolos 2,1-4). "O Espírito Santo tem a tarefa de levar a Igreja ao seu maior esplendor, para que assim se torne toda bela, sem mancha e sem ruga, à imitação de vossa Mãe Celeste, e possa difundir a Luz de Cristo para todas as nações da terra" (MSM, 3.6.90).
6.     MARIA: Mãe da Igreja, predestinada como a Filha Predileta do Pai Celeste, assumiu por desígnio e privilégio de Deus, a condição da "Nova Eva" isenta de qualquer mancha do pecado, até mesmo da "culpa original", tornando-se por meio de Jesus Cristo - o "Novo Adão", a "Mãe Espiritual" de toda a humanidade. "Não se pode falar de Igreja sem que esteja presente Maria" - disse o Papa Paulo VI. A Igreja que tem Maria é Igreja de Jesus porque Ela acompanhou o nascimento da Igreja e o seu crescimento, com aquela solicitude que demonstrou nas bodas de Caná da Galiléia: "Fazei aquilo que Ele (Cristo) vos disser", e agora, na Glória do Céu, Maria Santíssima se interessa pela nossa salvação.
7.     A Igreja é depositária e transmissora do Evangelho do Reino, cuja missão é anunciar e construir o Reino de Deus pela força e ação silenciosa e fecunda do Espírito Santo nas Comunidades cristãs espalhadas pelo mundo inteiro. Através da Sua Igreja, Jesus Cristo apresenta aos homens (o gênero humano) todos os meios necessários para a sua salvação: os Sacramentos, a Palavra de Deus, os Mandamentos, a Lei do Amor.
8.     O Sacerdote ou Padre, que foi ungido e consagrado ao Serviço de Deus para a salvação dos homens, destaca-se como o Homem de Deus e do Povo no contexto da missão salvífica da Igreja, pelo seu bom exemplo, dedicação, amor e zelo nas atividades das Comunidades cristãs locais, sendo portanto "sinal" e "presença" de Cristo na Igreja. É ele quem celebra a Eucaristia (Santa Missa), realiza as Celebrações Litúrgicas da Igreja, ministra os Sacramentos, prega a Palavra de Deus, perdoa os pecados, orienta e coordena os colaboradores na "obra" da Igreja; e assume o lugar de Cristo em oferecimento de vítima expiatória, intercedendo pela remissão dos pecadores. "Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque"(Hebreus 7,17).
9.     Os Pastores da Igreja (Bispos e Sacerdotes), como são os continuadores da obra redentora e salvífica de Jesus Cristo, necessitam do apoio e cooperação de todo o Povo de Deus reunido em torno de um mesmo Altar, destacando-se também como provedores dos bens espirituais e materiaisdas das Comunidades cristãs mais pobres, carentes, isoladas, problemáticas ou distantes dos grandes centros urbanos. Contando portanto, com a ajuda pessoal e material de cada fiel cristão, o Homem de Deus e do Povo se engaja também na luta pela minimização ou solução dos problemas físicos e sociais dos mais necessitados e desprovidos dos bens materiais necessários à sua subsistência e sobrevivência. "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mateus 5,7).
OS CINCO PRECEITOS IMPORTANTES DA IGREJA
  • 1º Mandamento: Participar da Santa Missa nos Domingos e Dias Santos.
A participação na Santa Missa do "Dia do Senhor" ou dos Dias-Santos de Guarda é um dever obrigatório para todo cristão batizado, porque Jesus Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana, que é o Domingo. "Por que buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como Ele vos disse, quando ainda estava na Galiléia" (Lucas 24,5-6), disseram dois Anjos de vestes resplandescentes às santas discípulas que foram ver o Corpo de Jesus no sepulcro. A Santa Missa é o Santo Sacrifício de Cristo que foi consumado no Calvário, sendo renovado e celebrado do nascer ao pôr-do-sol em todo o mundo pela salvação da humanidade. Faltar à Missa aos Domingos e Dias santos sem nenhum motivo que impeça de assisti-la ou de ir até o Templo do Senhor é considerada falta grave pela Igreja, ficando portanto, o fiel cristão impedido de receber a Comunhão ou Eucaristia. Os Dias santos de Guarda são quatro:
    • 1º de Janeiro - Festa da Santa Mãe de Deus;
    • Festa do Corpo e Sangue de Jesus - Corpus Cristi (a data varia, de acordo com o Calendário Litúrgico da Igreja);
    • 8 de Dezembro - Festa da Imaculada Conceição de Maria;
    • 25 de Dezembro - Festa do Natal em que se celebra o Nascimento de Jesus Cristo na pobre gruta de Belém, ou seja, da vinda do Salvador ao mundo.
    • Inclui-se a essa lista as festas e solenidades  dos santos Apóstolos; e todas as festas do Senhor: Coração de Jesus, semana Santa, Batismo do Senhor, entre outras.  
  • 2º Mandamento: Confessar-se ao menos uma vez cada ano.
O segundo mandamento prescreve que o cristão batizado deve confessar-se ao menos uma vez por ano; mas como o gênero humano tem uma natureza, digamos, corrupta devido a herança do pecado original cometido pelos primeiros pais (Adão e Eva) no início da Criação, o espírito necessita de uma "limpeza espiritual" constante para não acumular muitas faltas ou pecados graves (mortais) que comprometem a salvação da alma. E é através do Sacramento da Reconciliação ou Confissão Sacramental que a Igreja de Cristo proporciona ao homem a reconciliação com Deus e com os irmãos, libertando dos males espirituais com o perdão dos pecados. "Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!" (Isaías 1, 18).
Ao falar pelo menos uma vez no ano quer dizer que é necessário sempre que se peque gravemente ou apenas levemente ao menos uma vez no ano. Quem falta a confissão estando em pecado não pode receber frutuosamente os santos sacramentos. Então, quando eu devo confessar? sempre que minha consciência me acusar.
  • 3º Mandamento: Comungar ao menos pela Páscoa.
Comungar ao menos pela Páscoa ou "fazer a Páscoa" como prescreve a Igreja, é cumprir um dever muito antigo que já fazia o Povo de Deus do Antigo Testamento. Celebrar a Páscoa recebendo a Comunhão ou Eucaristia significa o encontro e comunhão com Jesus Cristo que liberta de todo o mal, ou seja, é celebrar a libertação ou "passagem" de uma vida de escravidão no pecado para uma vida nova com Cristo.
Para fazer a páscoa é necessário uma confissão auricular. Por isso, é sempre bom ter uma confissão na páscoa e outra no natal. Quem está em estado de pecado mortal, faça um exame de consciência e, se possível, procure um confessor. Em casos de falta de contrição o pecado fica retido até o penitente adquirir a reta contrição; quem assim procede não pode fazer a páscoa plenamente.
  • 4º Mandamento: Jejuar e não comer carne quando manda a Santa Igreja.
A Santa Igreja prescreve no quarto mandamento que a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão são dias de se fazer jejum do corpo ou de alimentos com abstinência de carnes nestes dias, em respeito à Morte de Jesus Cristo na Cruz e como meios de penitenciar o corpo e o espírito, a fim de que os "canais da graça" sejam liberados da mancha dos pecados do egoísmo e do orgulho.
Quem está obrigado a essa mandamentos são as pessoas em idade acima de  quatorze anos e abaixo de sessenta. Mas não se excluem que esta fora desta faixa e desejar jejuar.
  • 5º Mandamento: Pagar Dízimos, conforme o costume.
O quinto mandamento da Igreja prescreve e adverte que os fiéis cristãos batizados em Cristo também são responsáveis e provedores da construção do Reino de Deus aqui na terra, providenciando os meios materiais com as ofertas e dízimos, a fim de prover o sustento das estruturas da evangelização do Reino. É papel do dízimo manter, construir ou conservar o Templo erguido em honra a Deus; promover a caridade e assistência aos mais pobres; assim como, auxiliar a Instituição Religiosa através dos Seminários, na formação dos Sacerdotes para prestarem serviço a Deus e ao Seu Povo. "A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe" (Mateus 9, 37-38).

"Conforme o costume": a Igreja, de certo modo, não estabelece uma quantia "exata" do que se deve pagar nas ofertas dos dízimos, mas deve ser cumprido com uma certa constância e freqüência, de preferência, mensalmente, se o nosso trabalho é remunerado mês a mês, de conformidade com os valores ou quantias recebidas individualmente de cada salário, economia ou produção, cumprindo o Preceito da Igreja com um certo grau de generosidade, bondade, alegria, espontaneidade (sem constrangimentos) e discrição, uma vez que o "Divino Mestre" disse que se deve fazer as boas obras em segredo, esperando a recompensa e o louvor somente de Deus, porque Ele é poderoso e fiel para cumular-nos de todas as bênçãos de que necessitamos. "Cumpri vossa tarefa antes que o tempo passe e, no devido tempo, Ele vos dará a recompensa" (Eclo 51, 38).

Pe. Fantico Nonato Silva Borges, CM 

Homilia do XVIII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

Homilia do XVIII Domingo do Tempo Comum (Ano C) Um homem vem a Jesus pedindo que diga ao irmão que reparta consigo a herança. Depois ...